terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cubatão, quem diria...

... em tempos de fracasso da COP-15, foi com uma certa recompensa assistir ao Cidade e Soluções, da Globonews, falando exclusivamente sobre a recuperação de Cubatão, cidade industrial entre São Paulo e Santos que tinha o inglório título de cidade mais poluída do mundo, com a própria ONU a tê-la como mau exemplo mundial.

Enquanto isso, o governo de então, dizendo que era bobagem de ambientalista, não queria baixar aquela que era a maior arrecadação do país. Claro, as crianças nascendo sem cérebro devia ser coincidência.

A Cubatão das crianças acéfalas, da explosão e incêndio de Vila Socó, dos recordes globais de poluição, ficou na História. O que apareceu foi uma cidade com 98% de redução de poluentes na atmosfera, com o verde voltando a dominar suas encostas, uma população em moradias decentes e conscientes da importância do ambiente em sua cidade, praticamente renascida das cinzas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim de ano animado!

Dois filmes chamam a atenção da mídia e do público neste fim de ano, e estão a aportar nos cinemas brasileiros. Ambos têm em comum a animação!

Sexta próxima, dia 12, teremos A Princesa e o Sapo, da Disney, sendo o primeiro desenho animado da Casa do Mickey que basicamente é animação a traço desde o fraquíssimo A Vaca vai pro Brejo (e como...), quando os executivos de então deram por encerrado fazer animação "de traço" porque, segundo as antas d'antanho, "3D é o que vende hoje em dia", tendo como base as cifras de Shrek e o que saia pela Pixar, em comparação com obras automaticamente cheirando a mofo como Irmão Urso (Disney) ou Spirit - O Corcel Indomável (Dreamworks), para não dizer a infelicidade financeira de projetos caríssimos como Atlantis e O Planeta do Tesouro (este, o primeiro caso sofrido pela Disney de prejuízo vindo de uma longa de animação).

Mas desde que parte do staff criativo da Disney é da Pixar, logo após a compra desta por aquela, esta bobagem - que custou o emprego de 300 animadores do dia pra noite - acabou.

A Princesa e o Sapo tem, ainda, a primeira "princesa Disney" que é negra, e há uma certa sensação sobre divulgar isso. Aparentemente o não-caucasianismo da Princesa Jasmin, de Aladdin, não contou. ;-) A trilha sonora, da última vez que soube, é jazz "raiz", bem das antigas. Acho, inclusive, que a estória se passa na Nova Orleans de 100 anos atrás, ou algo assim.

Sexta, 18 de Dezembro, teremos o tão aguardado Avatar, de James Cameron. Apesar de ser um filme 'filmado', live-action, ele tem sequências inteiras de computação gráfica 3D, especialmente quando no mundo alienígena onde parte da trama se passa. Meio o caminho trilhado pela nova trilogia de Star Wars, The Matrix, o O Senhor dos Anéis e outras obras, onde a inserção de computação gráfica 3D passa, de mera "decoração", a um elemento importante na narrativa, indo além dos cenários para montar, ou co-montar personagens irreais, contracenando com atores.

Vamos ver como ficarão!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Primavera dos Livros 2009

Fui ontem, no último dia, de tarde. Mas fui!... após anos só me lembrando de procurar a existência disto quando já havia terminado, finalmente compareci, neste domingo nublado, aos belos jardins do Museu da República, por onde os estandes das publicadoras da LIBRE - Liga Brasileira de Editoras - se espalhavam.

Durante algumas horas, distrai-me por inúmeros títulos de muita coisa boa e bonita, com descontos bons, via de regra. Revi amigos e conhecidos que não esperava (todo mundo que marquei furou), conversei com livreiros. Havia algumas barraquinhas de comes e bebes (cheguei um cliente tarde demais para a água de côco), e uma inesperada e ótima trilha de rock'n'roll de fundo, nada agressivo ou intrusivo. Diversas famílias ali, provavelmente porque aquela jóia que é o parque do Museu normalmente é frequentado por público semelhante.

Havia uma barraca de leitura de textos e poesias infantis. "- Dedicado às mulheres negras, que tanto fizeram por nós, não?" As crianças, claro, queriam mais era pular com os mini-puffs.

O evento produziu um belo catálogo, conciso, com uma página por editora associada com informações básicas e três títulos que quisessem promover. Vi muitas coisas legais, mesmo, pena que nem todas pude comprar:

História da Arte Brasileira para Crianças: uma excelente idéia em meia-dúzia (o site diz quatro, mas lá me mostraram seis) de volumes, esta coleção traz em texto conciso e belos exemplos ilustrado o tema para um público mais jovem, sem afugentá-los. De Nereide Sclilaro Santa Rosa, Edições Pinakotheke, 2002 (o site do catálogo indica outra editora, não entendi nada).

A Odysseus Editora concentra-se, mas não exclusivamente, em tudo o que tiver cara de Grécia Antiga, fazendo jus ao nome. Uma coleção de clássicos de mitologia grega recontados para jovens de Menelaos Stephanides, autor bastante popular na Grécia, vem sido apresentada por eles.

E o que arrematei:

Antes de Colombo Chegar, de Adriano Messias, ilustrado por Vanessa Alexandre. Compila em português e espanhol, para o público infantil, lendas astecas, maias e incas. Alis Editora, 2009.

De Engenho a Jardim - Memórias históricas do Jardim Botânico, Cláudia Braga Gaspar e Carlos Eduardo Barata. Pela Capivara Editora, que também tem um belo álbum da coleção de fotografias da Princesa Isabel.

De vez em quando eu voltarei a este post, caso eu lembre de algo que valha à pena mencionar, estou certo que há.

Por último, gostaria de parabenizar ao evento por provar que pode ser feito uma feira de livros onde não estejam à venda esotérico, dieta ou auto-ajuda.

Espero me lembrar da PdL ano que vem!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Lançamento do Godô!

Moçada, livro infantil desta minha queridíssima amiga de tantos anos, finalmente emplacando este que é mais um gol de letra: Godô dança, seu primeiro livro infantil, também com ilustrações da própria. Tomara que role no Rio também!

"O Godô dança será lançado

sábado, dia 12 de dezembro de 2009,

das 11h30 às 14h,

na Livraria Sobrado,

na Av. Moema, 493 – Moema – São Paulo – SP.

Vai ter contação de estória para os pequenos.

Espero vocês lá!"

Original aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Primavera dos Livros

Site aqui, programação aqui.

De 26 a 29 de Novembro, no Museu da República. Oba, melhor que no cais do porto...

Bohemian Rhapsody de uma forma que você nunca esperou...



Não pode ser mais legal!

Como assim, nenhuma emissora no Brasil tem interesse de passar o Muppet Show!?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Doação de sangue /plaquetas...

... não mais é necessário. Obrigado por qualquer atenção.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Emile Reynaud

Emile Reynaud foi um pioneiro da Animação. A poucos anos antes dos Irmãos Lumiére apresentarem a primeira sessão de cinema, Reynaud se apresentava com desenhos animados por ele mesmo, em máquinas ópticas de sua criação para seu público. Até onde sei, ele era uma espécie de one-man show, que dos desenhos à bilheteria, ele estava em todas.

Ao ver a projeção dos Lumiére, e entendendo que o processo deles era bem mais rápido, acreditou estar obsoleto e anteviu sua própria falência. Em um ataque de depressão, pegou toda a sua obra - filmes e maquinário - e jogou no Sena.



Le Pauvre Pierrot é uma das poucas obras que sobraram aos dias de hoje. Na entrada anterior do blog, falei do Dia Internacional da Animação. O 28 de Outubro não é por acaso, foi escolhido por ter sido a primeira exibição conhecida de Reynaud.

É curioso ver a escolha do tema. Com personagens como o pierrô e - imagino - o clown em cena, isto me parece demonstrar a popularidade do gênero - harlequinades -, também presente em muitos livros infantis, do outro lado do Canal da Mancha.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia Internacional da Animação

Em homenagem a este dia, que é hoje, 28, recebo de Marcos Magalhães um belo post sobre a história da Animação, postado no blog da Anima Mundi.

Aliás, tem sessão no Odeon, pelas 19h. Devo conferir.

domingo, 11 de outubro de 2009

O Segredo de Kells

Descolando um convite neste sábado, pela gentileza de um amigo, assisti no Festival Internacional de Cinema Infantil o longa animado O Segredo de Kells (Brendan and the Secret of Kells), uma co-produção belga-franco-irlandesa, ainda deste ano (blog da produção aqui, ficha do IMDB aqui). Do site do festival, a informação:

Em um mosteiro, o mais fantástico dos livros precisa ser concluído e mostrado ao mundo. Esta misteriosa tarefa é dada a Brendan, um menino de apenas 12 anos. Para completar o lendário livro de Kells, ele conta com os ensinamentos do mestre Aidan e com a ajuda de Aisling, uma misteriosa menina-lobo. E ainda desobedece ao seu amado tio, o Abade Cellach, se perdendo na floresta encantada onde a força de uma serpente diabólica protege o incrível olho de cristal. Mas este é apenas o começo da jornada para Brendan se tornar o mais especial dos escribas.

O que a sinopse não conta exatamente é que o filme inteiro se baseia em iluminuras medievais como tema - a confecção do tal livro - e como estética: todos os cenários (lindíssimos, estupendos) e personagens não apresentam perspectiva, apesar de certos momentos sugerir ambiente em três dimensões.

O Segredo de Kells: iluminuras como tema e estética.

Técnica mista, usando animação no papel, Flash e algumas modelagens em 3D, O Segredo de Kells apresenta o pequeno mundo do jovem Brendan como algo incerto e conflituoso: na Idade Média, uma ordem de monges monta uma pequena fortificação que defenda fugitivos dos impiedosos ataques vikings à região, abandonando mesmo sua vocação inicial, a de ilustrar e criar livros. Mistério e magia aguardam Brendan, enquanto ele alastra os limites de seu mundo, e dá vazão à mesma vocação que os monges acabaram por abandonar.

É muito curioso pensar como isto não foi um tema até agora de uma animação, ou ao menos não que eu conheça. A coisa mais próxima disto - e olhe lá - que conheço é uma versão animada da Tapeçaria de Bayeux.

Muito para minha surpresa, descobri ainda agora que o Livro de Kells realmente existe, e é um dos textos bíblicos mais belamente ilustrados na Idade Média, ainda que tenha ficado incompleto. É de origem irlandesa, com a arte local influenciando a arte do manuscrito.

Apesar de estar no FICI, cabe notar que este é um filme "para criancinhas européias", como brincou meu amigo: não é um filme leve, não há exatamente um ponto de alívio na trama... há uma tensão e uma tristeza de fundo, apesar de qualquer sucesso do protagonista.

Mas é um filme belíssimo, independente do que.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Ouvido ainda agora: seria interessante se os Jogos pudessem ser em Brasília, pois poderia se tornar uma fonte de trabalho para as populações flutuantes de Rio e São Paulo, além das cidades-satélites brasilienses, que se não me engano começaram como cidades-dormitório dos trabalhadores que ergueram a capital nacional.

Os números do Pan preocupam até hoje: se não me falha a memória, dos 700 e algo milhões inicialmente orçados, a festa toda foi a mais de um bilhão de reais. Pergunto-me: ora bolas, não são os Jogos internacionais? Deveria haver um comitê igualmente internacional para fiscalizar as contas.

Enfim...

Adendo: Em 2006, Montreal finalmente pagou por seu estádio olímpico... de 1976.

Adendo 2: excelente artigo, no dia 2/10, sobre o assunto no Gravata.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Campanha futurística da AT&T...

... feita em 1993.

Decerto que mais do que fazer previsões para o que seria em 10-15 anos, ela estava já propagandeando seus projetos. De qualquer forma, é muito interessante.

Dica: blog do Estadão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Off-Bienal

Foi ontem, 20 de setembro. Muito legal. Saldo: Valis, de Phillip K.Dick, pela Editora Aleph; Os Meus Balões, de Santos-Dumont, pela BibliEx, além de rever rostos amigos. Pena não poder ter ficado até o fim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

FC Blog

Resolvi dar uma nova chance ao meu blog de FC... talvez concentre lá tudo que tenha a dizer do gênero, ecoei para lá umas entradas antigas e, agora, uma nova, comentários do livro The Godmakers, de Frank Herbert.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Virtuality

Virtuality (2009) é um telefilme, piloto para uma série, criada por Ronald D. Moore, que se destacou recentemente por nos dar um complexo remake de Battlestar Galactica. Bem, vê-se lições foram aprendidas.

A história: em mais um ou dois séculos, o meio-ambiente estará tão alterado que a raça Humana encara sua própria extinção. Uma nave é construída para alcançar um sistema solar próximo ao nosso – Epsilon Eridani (vizinhança famosa) – levando uma dúzia de cientistas, que esperam alcançar o sistema em tempo hábil e determinar se há um mundo colonizável.

Até ai, o plot básico não é exatamente novidade, a nave que busca por um mundo novo é de, pelo menos, Patrulha Estelar (longa novíssimo para 12 de Dezembro próximo). O que cai matando é o tratamento: ao invés do ponto central ser somente o sucesso da missão ou algo mais técnico, o que realmente importa na história é a viagem em si, que deixa o ponto central do filme focar – como em BSG Galactica – nos dramas humanos, explorados de duas formas: para ajudar a saúde mental dos tripulantes, um complexo sistema de realidade virtual existe, permitindo que os tripulantes programem seu relax como quiserem com o assunto que preferirem, sozinhos, a dois ou mais. É um programa de realidade virtual, ao invés de um holodeck como em Jornada nas Estrelas, com visores especiais, mas que substitui a realidade 1.0 o suficiente para as sensações vividas serem fortemente prazeirosas, ou igualmente traumáticas.

A realidade virtual como ferramenta importante na construção de tramas e relações está presente, também em Caprica, spin-off de BSG Galactica, cujo telefilme homônimo recebeu críticas positivas e um go para se tornar série, em breve – and then there was much rejoicing.

A segunda forma de exploração dos dramas é uma idéia que eu achei fenomenal: bancada por uma poderosíssima corporação financeira, eles resolvem que não basta a sobrevivência da raça humana como forma única de pagamento: a tripulação é submetida a um constante reality show de si próprios. Com direito a “confessionário”. Não ajuda muito o psicólogo da equipe ser também o operador da mesa de edição da nave, recheada de câmeras para tudo quanto é lado. Conflitos e pequenas baixarias fazem o deleite de 5 bilhões de telespectadores, enquanto esperam, de boca aberta cheia de dentes, pela morte chegar. Ah, e a rede de tv que transmite esse programa é a própria emissora deste telefilme, nenhuma outra que a Fox Television.

Como Ficção-Científica, é algo que se aproxima bastante da hard s.f., tendo a nave – com o ominoso nome de Phaeton – gravidade artificial através de um carrossel e não podendo ultrapassar a velocidade da luz. O sistema de propulsão é baseado no modelo Órion, em que explosões nucleares são utilizados para impulsionar um veículo. Pormenores – porém jamais insignificantes – físicos podem ser discutidos, mas em termos de subgênero, para a televisão talvez seja as good as it gets.

(o que faz lembrar um pouco 2001 - Uma Odisséia No Espaço, assim como pela presença do computador central que, sempre com uma voz calma e ponderada, nunca tem exatamente idéia do que acontece, apesar de seu olho brilhante em todos os aposentos da nave.)

Mas não foi aproveitado: ao que tudo indica, ficou mesmo só no telefilme. Impera a mediocridade, creio... bem, é a Fox. :-/

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Bienal? Thanks, but no, thanks.

Eu repito isso a cada dois anos.

É longe pra burro, de "centro" o Riocentro não tem nada.

Vai uma ga$olina. Tem que pagar pra entrar. O estacionamento ainda deve dar um desconto se você compra acima de x, mas não tenho certeza: ele é pago, de qualquer forma. Lá dentro você anda que nem um dromedário, já deixa outra grana em alguma lanchonete.

Tudo isso para... pagar pelo mesmo preço das livrarias, porque as editoras não querem, por duas semanas, competir com suas distribuidoras.

Como não tem nada específico ali, que eu saiba, que me interesse... passo. Ir por ir ou por qualquer glamour do evento, para dizer que foi à Bienal, desculpe. Nessas horas acho a Primavera dos Livros bem mais simpática.

Estarei muito provavelmente no Off-Bienal, aliás.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sir John Tenniel


Ilustrador inglês do Século XIX, que ficou mais famoso por suas ilustrações para Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, de Lewis Carol. Também era chargista, de olho no clima político da época.

Em Alice, seus desenhos se tornaram indissociáveis da obra escrita. O filme da Paramount, de 1933, assim como a obra animada da Disney (1951) se basearam visualmente nas concepções de Tenniel.

O blog de Melk Azedo faz uma breve demonstração:




Uma comparação, de três "Alices", pinçadas lá do Ambidestria.

Por John Tenniel:



Por Arthur Rackham (o cara que eu adoraria ter visto poder ilustrar Tolkien):



Versão animada da Disney:


Apenas para por um pouco de beleza por aqui, de vez em quando. Andei lendo mais do que pensava ler sobre o assunto, e decidi postar aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Divulgação: Podcast no Aguarrás, Danilo Salvego

Ecoando:

Está no ar o primeiro podcast do Aguarrás, com o fotógrafo, designer e artista plástico Danilo Salvego.

O podcast do Aguarrás tem uma periodicidade quinzenal e o próximo, do dia 21 de setembro, é com o poeta Oswaldo Martins.

Por favor me ajudem na divulgação!

sábado, 5 de setembro de 2009

Deixa ver se eu entendi...

... está sendo burilado um novo imposto sobre livros aqui no Brasil, para um fundo do governo que investirá no incentivo à leitura.

...

Ou seja, para ajudar as pessoas a lerem... eles vão aumentar o preço dos livros... é isso?

UPDATE: Artigo no Estadão sobre isso.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

É impressionante...

... como a vaidade desses caras é interminávell. Assim como nossa capacidade de se decepcionar com eles, decerto.

Pinçado da dona moça aqui, também muito tensa com o assunto.

O lance é que a AAL deve seguir o conceito, imagino, da ABL, que foi fundada nos molldes do Petit Trianon francês, não uma academia de lletras, mas uma assemblléia de notáveis daquele país.

A ABL, no passado, para apoiar JK na ditadura, quis tê-llo como imortall, baseando-se também em seus discursos. Pouco antes de morrer, Ullysses Guimarães também seria candidatávell, idem pellos discursos.

Só isto expllicaria - não disse justificaria - Quintana sendo deferido - por uma terceira e úlltima vez - por um certo senhor feudall contemporâneo.

Descullpem os erros de digitação no post. Minha tecla llllllllll anda meio nervosa, hoje.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Engraçado...

... uns 40-50 anos atrás, a classe média brasileira viva sob o pavor da ameaça comunista.

Hoje, parece que vivemos sob a ameaça criacionista. :)

Os comunistas estavam próximos ao poder, os criacionistas estão próximos ao poder.

Os comunistas estavam se infiltrando em nossa rede de ensino, os criacionistas estão se infiltrando em nossa rede de ensino.

Os comunistas eram tão recheados de boas intenções que não havia espaço para um raciocínio crítico, os criacionistas são tão recheados de boas intenções que não há espaço para um raciocínio crítico.

Como será a nossa Redentora?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Promessômetro de Eduardo Paes...

... excelente serviço. Não cheira bem, mas até ai...

Eu votei no outro cara.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Todos os nossos 1984...

A essa altura, não é novidade: a Amazon, à revelia dos compradores, deletou determinado conteúdo do kindle sem aviso prévio a seus usários e compradores, reembolsando-os financeiramente. O conteúdo? As obras de George Orwell, Animal Farm (A Revolução dos Bichos, em português) e 1984. Especialmente sobre esta última, mais emblemático, impossível. Impossível.

1984 talvez seja a obra das obras sobre um governo totalitário e realmente opressor, que chega a ponto de reescrever a História, adotando para si as glórias e feitos do passado, remover artigos de jornal que criticassem o Partido, etc. e tal. Crítica ao stalinismo na época, mas que hoje em dia transcende ideologias ou suas ausências, sendo uma metáfora de qualquer sistema opressivo.

Recebi, com entusiasmo até, a notícia de que na Califórnia, por decreto do Governator, todo o sistema público de ensino iria adotar uma forma semelhante ao kindle, do que entendi, como livro didático: a idéia é, assim que confirmadas fossem novas descobertas, a disponibilização in promptu aos alunos. Achei isso muito legal, mesmo. Mas comecei a divagar, pelas obscuras ruelas mal-iluminadas dos meus achismos, de que um belo dia os alunos poderiam ligar seu kindle e *plim*: A Terra tem 6.000 anos de idade. Tenha um bom dia, cidadão.

Para não dizer, talvez toda uma, digamos, História da Pedagogia esteja ameaçada, e suponho que isto tenha a sua relevância.

E, é claro, começa a feira de erros: os direitos do consumidor. Ora, se fosse na vida real, alguém da livraria poderia entrar na minha casa e pegar um livro que comprei de volta, deixando o dinheiro pago por ele, sem antes me consultar? Não sem algumas cadeiradas no processo.

(Ainda digo: é culpa do Bill Gates. :) A M$ é que tem essa mania de fuçar no seu sistema operacional sem te consultar, já que você, macaquinho, não sabe mesmo de onde vêm as bananas. Tornou-se tradição na informática.)

Deve ter alguma tese, em algum lugar: nunca a geração, veiculação e, consequentemente, acesso à informação esteve tão facilitado na História, e igualmente, nunca esteve tanto a perigo: não somente de manipulações espúrias como esta, mas considere deixar seu palm cair no chão da altura da mesa. Considere deixar sua agenda velha, papel, do seu andar.

E ai, ainda por cima, leio o motivo do qual logo uma livraria incorre em ato tão trevas: eles não querem trabalhar com títulos sem direitos autorais. Outro catatau de erros a ser destrinchado.

Semana Internacional de Astronomia

O Rio sedia desde ontem, e vai até 14 de Agosto, a Assembléia Geral da União Internacional de Astronomia. Há eventos e palestras sobre astronomia, como na Fundação Planetário:

A programação do Planetário vai desde palestras com tradução simultânea, exposição de fotografias até coquetel de abertura, entre outros. Para o presidente da Fundação, Celso Cunha, é uma honra receber um evento desta envergadura no Planetário. - Temos uma grande preocupação em unir entretenimento e difusão científica. O Ano Internacional da Astronomia vai permitir que a sociedade tenha mais informações e conheça, sem preconceito, como funciona a mente do cientista. A Fundação Planetário se sente orgulhosa em participar desta missão de difundir a ciência e, em particular, a Astronomia, promovendo com isso a inclusão de diversos setores da sociedade.

No Portal G1, mais informações:

Quem não é sócio da IAU também pode aproveitar a presença dos grandes nomes da astronomia que estão no Rio. Paralelamente à assembléia, três palestras serão realizadas no Planetário da Gávea, na Zona Sul do Rio, com entrada franca.

No dia 5 de agosto, às 19h30, Jim Bell, da Universidade de Cornell, mostra as curiosidades sobre o planeta Marte. Dia 7, às 18h, Franco Pacini, da Universidade de Firenze, debate sobre o legado de Galileu. E no dia 12, às 19h30, Françoise Combes, astrônoma do Observatório de Paris, fala sobre o nascimento e a vida das galáxias.

Além do Planetário, o público que passar pela Cinelândia, no Centro, a partir desta terça-feira, poderá participar de atividades relacionadas à astronomia, em uma tenda de 450 metros quadrados. Parte da programação do encontro da IAU, o evento “Astronomia na Cinelândia: o público é a estrela” oferece exposições, atividades interativas, oficinas, planetários infláveis, palestras de curta duração e observação do Sol por meio de telescópios.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Homem na Lua, 40 anos

40 anos atrás, numa casquinha de noz, três astronautas americanos foram até a Lua, dois deles desceram e fincaram bandeira. Voltaram sãos e salvos.

Diz minha mãe que ela me levou pra sala, diante da tv. Meses de idade, eu queria mais era dormir.

Eu ainda não era eu, é claro.

Anima Mundi - Diário do Estúdio Aberto - 18 e 19/07/09

Sábado, 18, não teve maiores variações. A destacar, apenas a sinceridade das crianças. "Gostou, meu filho?" "Não". Não assisti nada.

Domingo, 19, foi bem puxado, fechamos a fila às 16:30. A massinha, uma hora antes. Assisti a sessão de premiação das 21h. Muito coisa francesa, excelente, excelente! A lista dos ganhadores vai aqui.

Jousé e o Pé de Macaxeira é excelente, uma bem-humoradíssima versão de João e o Pé de Feijão. Parabéns, Diogo! Our Wonderful Nature é de se escangalhar de rir. French Roast já havia visto na estréia, que bom que ganhou também um prêmio. Skhizein é apenas esquisito, e vale conferir. Paul e o Dragão, que levou o melhor curta-metragem infantil, talvez pudesse ser um pouco mais curto. Fora isso, é uma história de superação, de um menino que desenvolve um câncer e que lida com isso através do imaginário. Compradores da tristeza alheia, beware. Ainda que acabe tudo bem.

Então é isso. 15 Animas. Que venha a 16a.

sábado, 18 de julho de 2009

Anima Mundi - Diário do Estúdio Aberto - 17/07/09

Ontem teve movimento tranquilo... não fiquei para ver as sessões, vou montar minha Anima Mundi no Youtube.

Mãe e filho compareceram pelo terceiro dia consecutivo. O menino disse que era pra compensar todos os anos que ele não pôde entrar.

Apareceu uma senhora com os filhos que sempre vêem, "só pra dar um alô". O filho esticou como chiclete. O que estão dando no nescau dessas crianças? Mas não ficaram para desenhar, era só pela simpatia, mesmo. Compensações e compensações deste festival.

Hoje, reta final. Dia lindo, lá fora. Vai ser concorrido!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Anima Mundi - Diário do Estúdio Aberto - 15 e 16/07/09

Ontem, 15, fiquei filmando o Papo Animado com um pesquisador de animação americano, Amid Amidi, que trouxe um excelente material sobre os anos da United Productions of America, a UPA. Tudo genial. A UPA é um estúdio dos anos 40 formado por animadores originais da Disney que saíram de lá, montando um esquema próprio, desenvolvendo para a televisão.

A UPA quebrou muito com a estética formal, talvez a coisa mais próxima de um clacissismo da animação, da Disney, enveredando por saídas estéticas e funcionais que ao mesmo tempo obedeciam a necessidades de orçamento mais baixo - era o início da chamada 'animação limitada' - e que também podiam experimentar. Dessa época veio tanto Mr. Magoo quanto, mais tarde, o design de personagens para a Hanna-Barbera de gente muito querida de todos como Os Flintstones.

Nos estandes, tudo tranquilo...

Hoje teve o maior dia de atendimentos até então, 92 animações completas. Três ou quatro Michael Jacksons, e isto, só hoje. Engraçado ver com os grandes eventos são traduzidos na hora da experiência pelo grande público: 11 de Setembro, Copa do Mundo, etc. Uma menina se enrolando toda pra desenhar um moonwalk chegou a exclamar que não sabia porque havia escolhido aquilo, pois nem gostava tanto assim dele.

Não fiquei para ver as sessões... canseira e fome. Amanhã prometo ver as duas, das 19 e ds 21.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Anima Mundi - Diário do Estúdio Aberto - 14/07/09

Segunda voltando à programação normal, com menos gente que domingo.

Consegui ficar para ver alguma coisinha. Peguei o final da sessão das 19h na Praça Animada, a Curtas 12 (para a programação online do evento no Rio e em Sampa, clique aqui). Não estou conseguindo encontrar o programa para dar nomes aos bois, mas também só vi os últimos três, e é fácil identificar: é uma sessão que termina com o magnífico Presto, da Pixar.

Antes tem um estoniano, Inherent Obligations (é, lembrei), de pixilation com stop-motion. Esteticamente tem coisas muito interessantes, mas acho que se perde um pouco. Vale pela crítica à questão do reality-show que, pelo visto, também é uma praga naquelas latitudes e longitudes. Tem no Youtube, mas não está completo... não consegui ver se o resto está lá.

E antes desse, um que depois ponho o nome. Mas é um CG 3D que imita um pouco animação de recorte de papel, trabalha com uma perspectiva propositalmente errada... o pouco que vi deste achei interessante.

"Felipe, pode cuidar da câmera para filmar o pessoal do Bolt?" Claro que posso. E, assim, cuidei da câmera para uma palestra interessantíssima que se centrou sobre problemas iniciais de character design do cachorro-protagonista, que levaram a produção a ser interrompida por um tempinho até acertarem a concepção e modelagem (foram atrás de A Dama e o Vagabundo), criação de um manual de do's and don'ts aos animadores e ainda, mais importante: perceberam que os departamentos internos, de animação, modelagem, rendering e um outro simplesmente não se comunicavam tanto assim. Os palestrantes - nomes, depois - contaram que tiveram que fazer algo quanto a isso, puseram todos para dar pitacos e oferecer propostas, em cada fase da produção.

John Lasseter foi um dos produtores de Bolt, eu perguntei depois se essa integração era um método da Pixar, incorporado depois da compra (cough, cough) pela Disney. O animador me respondeu que não saberia dizer, aquele era o primeiro trabalho que ele realizava na Casa do Mickey.

Passou o longa depois, mas não fiquei para assistir.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Anima Mundi 2009 - Diário do Estúdio Aberto - 12/07/09

Ontem foi bem puxado, tivemos que fechar a fila pelas 17:30.

Meu prezado Carlos Eduardo, organizador do GNU Graf, apareceu por lá. Levou um amigo, que só animara em CG, para desenhar um ciclo à mão. Sim, de vez em quando atendemos crianças com necessidades especiais. O resultado foi bem satisfatório!

Juro, ia ver sessão. Mas uma carona para mesma rua em que moro, vindo de um Centro da cidade, domingo à noite, frio e chuviscante... não há amor à arte que resista.

domingo, 12 de julho de 2009

Anima Mundi 2009 - Diário do Estúdio Aberto - 11/07/09

Ontem nem teve muita coisa a relatar. Movimento normal, com um pico lá pelas 4 da tarde. Achei que concorremos entre o jogo do Vasco e o show do Roberto Carlos. Não fiquei pro papo animado, no fim das contas, fui embora mais cedo.

Talvez hoje o dia seja mais tranquilo, o tempinho está nojento.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Anima Mundi 2009 - Diário do Estúdio Aberto - 10/07/09

E ai recomeçamos. E eu recomeço este diário, tal qual ano passado.

O grande destaque que vejo é o Anima Business: quem tem projeto de animação e não sabe a quem conhecer, essa é a oportunidade. Cliquem no link e se inscrevam.

Primeiro dia normal, até, sem excesso de público, na França-Brasil. Muito gostoso, tudo. Algumas animações legais, pintou o primeiro Michael Jackson, um moonwalk básico.

"Meu avô tinha um cinema no interior de São Paulo. Tinha um projetor francês Pathé, a carvão, que o filme desenrolava caindo pro andar debaixo, e alguém tinha que re-enrolá-lo."

Coisas que se acaba ouvindo só de perguntar, "pois não?" Esse festival compensa de várias formas.

É o mesmo time do ano passado no Estande 2D. O que é ótimo. Um dos nossos, aliás, virou papai. Rebento de dois meses de idade, já. Show de bola.

Não fiquei pras sessões à noite.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Anima Mundi 2009

Começa amanhã, sexta, 10 de Julho, indo até o outro domingo, 19 de Julho.

Oba. :)

Devo começar a fazer meus relatos diários, ou semi-diários. Vamos ver.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

MuCo

Interface, conteúdo e bom-humor sensacionais: MuCo, o Museu da Corrupção. Já na lista ao lado. Pinçado lá do meu caro Dom Gárgula.

Update: link corrigido.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ciberativismo: Eleições no Irã

Original aqui. Quem quiser ecoar em seu próprio blog ou gerar um pdf e pendurar em algum lugar, esteja a gosto: o importante é divulgar. Quem souber francês, espanhol, etc...

Guia para a Cyberguerra das eleições no Irã

Yishay diz, "A estrada para o inferno é pavimentada com as melhores intenções (inclusive as minhas). Aprenda como realmente ajudar quem protesta, e não o governo do Irã."
O propósito deste guia é ajudar você a participar construtivamente nos protestos da eleição iraniana pelo Twitter.

1. NÃO divulgue IPs de proxys no twitter, e especialmente não utilizando a hashtag #iranelection. Forças de segurança estão monitorando esta hashtag, e no momento em que elas identificam o IP de um proxy eles o bloqueiam no Irã. Se você estiver criando novos proxies para os blogueiros do Irã, mande por Direct Message para @stopAhmadi ou @iran09 e eles serão distribuídos discretamente a blogueiros no Irã.

2.Hashtags, as duas únicas legítimas hashtags sendo usadas por blogueiros no Irã são #iranelection e #gr88, outras hashtags inventadas correm o risco de diluir a conversação.

3. Mantenha seus critérios! Forças de segurança estão agora criando contas no Twitter para espalhar desinformação se passando por iranianos protestando. Por favor, não retwitte impetuosamente, tente confirmar a informação com fontes confiáveis antes de retwittar. As fontes legítimas não são difíceis de encontrar e seguir.

4.* Ajude a proteger os blogueiros: mude seu setting no Twitter para que sua localização seja TEHRAN e seu fuso horário GMT +3.30. Forças de segurança estão à procura de blogueiros usando esta localização e fuso horário. Se todos nos tornarmos "iranianos", ficará bem mais difícil de encontrá-los.

5. Não revele seu disfarce! Se você descobrir uma fonte genuína, por favor não divulgue seu nome ou localização em um website. Estes blogueiros estão em perigo REAL. Espalhe discretamente através de suas próprias redes mas não os sinalize para as forças de segurança. Pessoas estão morrendo lá, de verdade, por favor sempre lembre-se disso...


* UPDATE: Carol, nos comments, lembra que o rastreio por IP tornaria a dica #4 bobagem.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Churnalismo

Dica do Escrevinhamentos, eis uma matéria sobre Churnalismo: o jornalismo feito às pressas, nas coxas, e suas consequências nefastas. A matéria é do blog E Você Com Isso?, de Marcelo Soares.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Ruim, o Mau e o Feio

1) A Copa no Rio


Pinçado do Gravataí e Merengue, que, aliás, vem com o alerta de que o Azteca no México parece que sediou as finais de 70 e 86. Mas, como ele mesmo indica... vamos comemorar o que, mesmo? A mais espiritual das derrotas, inexorcizável, do futebol brasileiro? Neeeeat-o.

2) Lulu Teen

Sim, depois da Turma da Mônica Jovem, agora Luluzinha vai ganhar uma versão adolescente. Não vou entrar na onda purista aqui: a doce infância dos dias passados não sustenta as vendas de hoje em dia, como costumo dizer. O projeto é da Pixel, house da Ediouro destinado à publicação de quadrinhos e responsável pelo projeto, conforme indica o Blog dos Quadrinhos, de onde me repassaram a dica. Haverá, assim como com a TdMJ, uma aproximação do público fã de mangá, mexendo bastante no design mais básico (adeus olhinhos pretos).


E aqui ela está: uma menina simpática, adolescente, e irreconhecível a tal ponto da personagem original que precisa de uma foto como suporte para explicar que ambas são a mesma pessoa. Por mim podia ser a Magali, ela está extremamente genérica. Ok, então as crianças de hoje em dia se vestem como a Luluzinha, Bolinha e o resto do pessoal: mas ainda assim, ela poderia ter uma camisa vermelha, por exemplo, mesmo que estampada. Podia ter uma boina mais transada (alguém ainda fala transada?), também vermelha, para remeter à personagem infantil.

Ou talvez assim, como tão bem resumiu o ilustrador Jean Okada (se ele me der autorização, reproduzo os desenhos aqui). Notem que ele ainda foi mais além do que eu pensei e fez do cabelo, talvez a mais fundamental característica da personagem, algo atual e igualmente identificável. Gostei muito do Bolinha, que vem neste aqui. Mas a Luluzinha que me amarrei foi a do segundo, que aliás na minha opinião pegou o jeito da personagem direitinho.

Update: Tive a oportunidade de folhear o produto. Os personagens, irreconhecíveis. Ótima chance, por isso mesmo, perdida para se tentar algo novo.

3) OSOP/OGOP/Serra Presidente/etc.

O motoboy atropelado e a pizza caída - o melhor símbolo para SP?

A imagem possui elementos gráficos mais condizentes com ginástica olímpica, acho que podemos começar aqui, do que com o futebol. Não me parece a escolha mais correta das cores, uma vez que vermelho nada tem em comum com as de nossa bandeira - apesar da demagógica explicação de que as cores representam as muitas culturas diferentes na capital paulista, e blá, blá, blá, blá, blá. Quem conhece SP mais que eu garante que o vermelho e o preto, devido à bandeira estadual, sempre devem sempre estar de alguma forma em destaque em casos envolvendo a cidade e o estado, pois o paulista/no reconhece a própria bandeira (alguém no Rio se lembra de imediato exatamente como é a bandeira fluminense? Google não vale). Até ai, ok, pelo que se vê nas cores da tipologia. Mas o vermelho na ilustra, com licença, não tem nada a ver.

E ainda, a imagem do logo está solta, livre, leve - e solitária, frágil e simplesmente fraca. O tal "voleio", ou como quer que se chame, que deveria ser um grande momento de uma partida, é para estar representado aqui. Mas não está. A imagem não apreende, a antecipação não antecipa, o impacto não ocorre.

A imagem e a tipologia (a Ferrari mandou lembranças) não se relacionam em momento algum. A imagem, solta no ar, contrasta com o tijolo abaixo do texto. Não há comunicação, de forma alguma, entre ambos.

Não estou certo, ainda, da qualidade do acabamento da peça. É isso que ganhou uma bela representação junto ao estado?

Deixaram o macaco da novela das seis, ou o publicitário envolvido fazer o trabalho de um designer gráfico, e deu nisso. São Paulo merecia melhor.

E hoje é apenas terça-feira, e eu já tô bom.

P.S. - eu e a turma de design gráfico, a dona moça aqui então nem se fala.

Curiosíssimo Update: do site da AdNews, de 2 de Junho do corrente, sobre o logo:

O clima da Copa do Mundo de 2014 já começou para a cidade de São Paulo, recém-escolhida como uma das cidades-sede aptas a receber os jogos da competição. Com isso, os paulistanos acabam de ganhar uma logomarca oficial, criada pela MPM Propaganda, que estará presente, a partir de agora, em todo material de comunicação do mundial que fizer menção à capital paulista. No trabalho, as iniciais de São Paulo formam ao mesmo tempo a imagem de um jogador fazendo um ‘voleio’. (...)
O grifo, acima e abaixo, é meu. Mas eis que, recentemente, no GloboEsportes.com:

A cidade de São Paulo, escolhida como uma das 12 sedes para a Copa do Mundo de 2014, pretende realizar um concurso para escolher o logotipo oficial do município na competição de futebol. O presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, só quer esperar a Fifa definir se o Brasil terá um único logo ou se cada cidade poderá ter o seu. (...) O logo apresentado no estádio do Morumbi, no último domingo, foi utilizado apenas para o anúncio das cidades-sede da Copa do Mundo. Caio Luiz de Carvalho disse que aguarda a decisão da FIFA para começar a divulgação do concurso.
- Nós não vamos trabalhar em cima daquele logo de domingo. Ainda não recebemos uma resposta oficial, mas assim que for definido, vamos comunicar.
Ah, tá.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Em tempos de lei Azeredo, ações como essa são temerárias...

Do blog Maximum Cosmo, dedicado a animes e mangás, vem a notícia de que a pirataria atinge um novo patamar em termos de falta de noção.

Por essas e outras que eu fico pensando no dia futuro em que se acessar à Internet o modem vai exigir reconhecimento de retina, senha, CPF e sei lá mais o que...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Arte e tecnologia defasada

Aqui, em vinte exemplos.



Ah, os dentes da primeira peça são de mouses de computador.

A casa de papel jornal...

Site aqui. Tem eletricidade, água encanada, e não tem problemas com goteiras. Papel jornal e muito verniz. A casa já dura 70 anos, e há um certo descascar aqui e ali, o que começa a mostrar chamadas e trechos de reportagens de época. Seu construtor, um engenheiro, que aparentemente apenas quis ver se funcionava. Funcionou. Ah... e móveis, também - incluindo um piano (calma, é apenas substituindo a estrutura de madeira).

Hummmmm... meio esquisito dizer isso, já que papel vem da madeira, mas... casas de papel prensado poderiam ser uma saída ecológica?

Com dois dias de atraso...

..., lamentavelmente, queria informar aqui sobre as palestras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas sobre Matéria e Energia Escuras, dirigidas ao público leigo. É no auditório do CBPF, Rua Xavier Sigaud 150, em Botafogo, aqui no Rio, parte da Semana da Matéria Escura e Energia Escura, destinando-se a divulgar as mais recentes descobertas sobre o assunto, com cientistas ao redor do mundo e tradução simultãnea.

Quem não puder ir, entretanto, elas estão sendo transmitidas ao vivo pelo site do Dark Energy Survey Brasil. Meu prezado Dom Bezerra, a quem alertei dois dias atrás, atesta a qualidade das palestras em seu blog.

Essas palestras estão sendo por esta semana, e aparentemente poderão ficar disponíveis mais tardes na forma de arquivos.

Ano Internacional da Astronomia rocks.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Semana do Museu

Pois é, estamos na VII Semana do Museu, de 17 (domingo último) a 23 de Maio de 2009. No Rio, o Museu Imperial tem toda uma programação voltada para o evento. Um amigo meu que me chamou a atenção para a existência disto, parece que há um tour de ônibus pela cidade, fazendo a rota de diversos museus, mas não consegui ainda ver aonde... fica a dica.

Momento Hobbesiano...

... pinçado do Trezentos, um alerta contra o autoritarismo que espreita a sociedade.

UPDATE: Meu prezado Barone me oferece um outro ponto de vista à questão aqui.

AnaCrônicas - Pequenos Contos Mágicos

Devidamente nas Leituras de 2009, o primeiro livro de Ana Cristina Rodrigues - cujo blog está na coluna ao lado -, do qual falei um tempinho atrás. Estou devendo alguns comentários.

É uma coletãnea, 90 páginas de 20 contos curtos (mais um de bônus), que passeiam por vários gêneros da literatura fantástica: ficção-científica, fantasia histórica, fantasia histórica-pero-no-mucho, horror e esquisitices em geral.

Temos algumas Anas vislumbradas nessas Crônicas: a historiadora medieval está lá algumas tantas vezes, por exemplo, assim como a cronista (de crônicas cotidianas, mesmo), e singelamente, a mãe - isso tudo faz de histórias como A Dama de Shallot, A Casa do Escudo Azul, Os Olhos de Joana e meu preferido, O Mapa para a Terra das Fadas histórias muito especiais - ou pequenos contos mágicos, de fato.

Recomendo.

sábado, 16 de maio de 2009

Computador ecológico

Do blog Ciência às Cores, dedicado à divulgação científica um artigo sobre o computador ecológico: idéia da firma espanhola iUnika, é um hardware completo que funciona com baterias a energia solar, todo feito de fibras vegetais e substâncias naturais, que degeneram bem mais rápido que o plástico: é o Gyy.



"Entre as características do computador podemos destacar as suas 700 gramas, 4 horas de autonomia ou as 25 cores diferentes em que se apresenta. É um computador ultraleve, como outros que estão a ficar na moda, com 22 x 16 cm. de tamanho e ecrã de 8 polegadas.

Mas o que é verdadeiramente especial neste é que tem, nalgumas das suas versões, placas solares para recarregar a bateria enquanto se está a trabalhar, aumentando muito a sua autonomia, e que a sua estrutura foi construída com materiais totalmente biodegradáveis: amido, farinha de milho e celulose, formando um bioplástico que suporta até 85 graus de temperatura."

Funciona com linux. Preço estimado, 130 euros. Fico pensando se não seria uma saída natural para o Brasil, em termos até de engenharia da computação.

domingo, 10 de maio de 2009

reStart Trek: This Ship Has Sailed

Após o Lamento do Último Fã, eu decidi que deveria pelo menos falar bem daquilo que eu genuinamente gostei do filme. Eu dei nota 5, na verdade. Disse, não é nenhuma podreira como os dois últimos que foram feitos (aliás, convenhamos, os filmes da Nova Geração são podres, via de regra). Mas também não vou me alongar nisso mais - this ship has sailed.

Reparem que, lá embaixo, eu em momento algum contemporizei sobre o departamento visual da antiga série, ou ressaltei as virtudes do do novo: não é por ai que a minha banda toca. Acho que deve haver uma história, uma boa história antes, tanto na premissa como em sua condução.

Um dos maiores defeitos de Star Trek foi o world-building, desde o primeiro ano da primeira série. Era uma série episódica, com aventuras independentes, que dificilmente faziam alguma menção, se que é fizeram ao longo de seus três anos, uns aos outros. Como era a televisão de então, para esse tipo de produto, levando em conta o que esperava de seu público-alvo. Nem a ordem de produção dos episódios foi levada em conta, na distribuição. Há ali episódios em que certos elementos coadjuvantes à trama são trocados sem maiores explicações, mas pelo menos sem maior profundidade (a idéia da Federação não parece estar nos primeiros episódios, havendo referências, entretanto, à Terra como corpo governante). Outros tantos detalhes "técnicos" como exatamente qual a velocidade de cada fator de dobra variavam loucamente.

Em compensação, haviam histórias excelentes.

Quando se provou algo rentável, especialmente após o sucesso no cinema, uma nova série foi feita, com um approach fundamental diferente: ao invés de ser uma série puramente episódica, resolveu-se que as coisas seriam melhores entrelaçadas. Mas, para isso, há que se ter o tal do world-building acima bem construído - mas como fazer isso, se a série original, cada vez mais cultuada, era falha em tantos aspectos?

Olhando em retrospecto, é fácil agora apontar o erro - a falta de sinceridade com o público-alvo: "Olha, gente... nós todos amamos aquela série, mas ela tem mais furos do que queijo suíço. Estamos tentando continuar aquele universo, estamos tentando incluir o máximo possível de coisas referentes àquilo, mas fatalmente certas coisas serão ignoradas. Bola pra frente. Tentem não perder a voz se esgoelando, obrigado."

Mas eles resolveram que "fã de Star Trek não liga para continuidade", e persistiram no erro, filme após filme, série após série. É mais fácil assim, convenhamos, do explicar a cada novo escritor os do's and dont's depois de um certo ponto mais básico.E é porque exatamente o que foi resolvido - o fã médio de Star Trek também não tá nem ai: basta uma nave e uma fanfarra de fundo para todos começarem a salivar pelo canto da boca. Há tempos que digo que a gradativa queda da qualidade das histórias - independente da questão do canon - é principalmente por causa desse tipo de fã, que compraria no e-bay cocô de cachorro com um carimbo em relevo escrito "star trek".


A quebra da continuidade aqui é proposital pelo plot em si (ainda que continue quebrando, independente do plot...), em se tratando de que agora todos são uma realidade alternativa. Isso faz se livrar do monstrengo de quarenta anos de episódios e filmes desencontrados, e um novo início fresco, sem vícios, localizado antes e o que deveria ser o início jamais realmente contado da tripulação da apenas USS Enterprise, "no bloody A, B, C or D!".

Ora, se não foi contado, então poderia ser um início tão bom como outro qualquer. E, de fato, até que foi: na maiden voyage da USS Enterprise (como em Star Trek I, V), a situação se dá de tal maneira que a tripulação é constituída apenas de cadetes (Star Trek II) e jovens oficiais, e que têm na marra que resolver a situação. No processo, passam a ter que cooperar entre si, mesmo não indo com a cara um do outro (ou ainda, ninguém indo com a cara do agora insuportável James T. Kirk). Mais clichês, mas, que diabos?

E ai está o cerne, digamos. O encontro, a promessa de contar as histórias do dia 1. Na velha série, sugere-se que os oficiais ali, por mais que tenham crescido uma amizade em comum em frente às câmeras, antes da primeira filmagem já terem suas carreiras consolidadas, tendo conseguido postos na USS Enterprise, dita então uma das 12 battleships da Frota Estelar, tipo de nave que não é qualquer um vagabundo que podia entrar. James T. Kirk estava lá aos 34 anos de idade, o mais jovem oficial a tomar aquele tipo de comando. Ou seja, havia uma valorização em quem pisava lá dentro: e nada por ninguém ali ser alguma espécie de figura messiânica, esse já-clichê que vem empesteando o cinema fantástico ultimamente. Mas por mérito próprio. Competência. Capacidade. E não acaso... ou marra.

Da re-tripulação, bom ver Uhura como uma personagem de verdade, ainda que pouco faça na trama, efetivamente (eu sou mais as pernas da Nichelle Nichols, mas isso sou eu). Zachary Quinto faz Spock de uma maneira habilidosa, também não está ruim por si, embora os vulcanos de forma geral mais me parecessem empedernidos britânicos do que alienígenas realmente acostumados a privar-se de emoções (lembrando-me mais dos vulcanos da última série feita, Enterprise, a qual odeio profundamente, do que os vulcanos da série antiga). Simon Pegg, o inesquecível Shaun de Shaun of the Dead/Quase Todo Mundo Morto, faz um engenheiro-chefe Montgomery Scott mais alegre do que eu tenho na mente que fazia James Doohan, mas àquela altura do filme, rever Pegg foi uma grata surpresa - apesar do "Umpa-Lumpa com problemas de acne" (tm by Phil Plait).

Mas o meu destaque foi para quem eu menos achava que daria certo, face a disparidade física com DeForest Kelley: Karl Urban está nota 10 na interpretação de Leonard McCoy, o médico ranheta de bordo.

E de resto? Hum... visualmente está um esplendor, mas até ai, duh! É a Industrial Light & Magic em um filme de J. J. Abrams, ou seja, a ninfomaníaca se encontra com o priápico: o resultado é memorável.

Ritmo taquicárdico, ação, ação, ação... sem dúvida que aqui está excelente.

E o que mais, mesmo? Mais do mesmo?

Pois é. A impressão que fica é que se tirar o frisson de "é Jornada nas Estrelas", fica um filme de ação boboca. Se tirar o filme de ação boboca, fica uma representação torta de um universo igualmente torto, mesmo com a premissa da renovação. Envolvidos pelo mais reluzente celofane.

Eu tenho a impressão que esse filme, que vem agradando até a fãs mais velhos e mais exigentes, tem seu sucesso por causa exatamente do referencial próximo: dois filmes um pior do que o outro e uma série horrorosa. O que viesse era lucro. Quando entra no projeto o produtor hype do momento, pronto: ficou uma sensação de que Pai J.J. Moses viria para levar o povo trekker para a Terra Prometida, além da fronteira final e onde nenhum Berman jamais esteve. Enfim.

Por último, meu prezado Dom Bezerra disse que o grande erro do filme foi que ele não se afastou o suficiente do velho título, não mudou o bastante. Não sei, não sei mesmo. Acho que não adianta mudar. Eu não creio que, a futuro, com novos filmes, vá haver uma melhoria no problema básico: acho que periga continuar o mesmo vício. Uma nova continuidade, apenas para ser quebrada em prol da boa idéia do momento, da ignorância de quem escreve ou produz sobre o item anterior, e da falta de exigência do espectador.

E ai eu me toco o seguinte: o motivo do filme - uma nova cronologia - é falacioso. Cronologia em ST é problemática? Sim. Mas não é o problema de ST.

O problema de ST, nos últimos quatro produtos - duas séries e dois filmes - é que eles simplesmente são muito ruins. Continuidade falha apenas é parte do problema, não é o problema. E quanto mais não seja - fã de Star Trek não liga pra continuidade. É sério.

Não precisa destruir tudo. Basta apenas decidir o que é e o que não é. O filme é safo nisso. Notem que Spock-Nimoy sobrevive até o final. Ali está a chave para restaurar o que for, com seu conhecimento de física temporal do Século XXIV - ele sabe como voltar no Tempo o suficiente para catar baleias e salvar a Terra, afinal - e de História pregressa. Ou seja, não há sequer um compromisso mais sério em se propor algo "novo".

É, gente, desculpe, era só pra agora falar bem do filme, mas... enfim, de volta aos anos 90.

Reimaginando as capas de Harry Potter

As capas dos livros de Harry Potter, no estilo da Penguim Books.



Por M. S. Corley, pinçado lá da Carol.

sábado, 9 de maio de 2009

Star Trek

Star Trek: Once Upon A Time...

Era uma vez uma série nos anos 60 na televisão americana que contava histórias de ficção-científica, sobre uma tripulação multinacional e étnica, de uma era em que a Humanidade estava unificada sob uma regra benevolente, havendo encontrado alienígenas que haviam ou se aliado em uma pacífica busca pelo conhecimento estrelas afora, ou à ela se oposto francamente, gerando inevitável conflito.

Era uma série em que não bastava apertar o gatilho todas as vezes. Havia momentos em que se questionava sobre apertar o gatilho, ou mesmo se violência era a melhor solução, assim como suas consequências. Sim, havia essa série, que ousava propor questionamentos éticos e dilemas morais, por mais rasos que pudessem ser dentro das limitações do formato - mas eles tentavam. Mesmo. Acreditem, essa série existiu.

A série durou, entretanto, apenas três anos, com problemas entre audiência e grade de programação, com o último ano recheado de episódios de baixa qualidade em suas histórias.

Um belo dia, dez anos após o encerramento ou quase, fizeram um filme. Um filme grandioso, kubrikiano em mais de um sentido, mostrando a velha turma um pouco mais... velha. E ai fizeram outro filme. Sensacional, resgataram um vilão da velha série, foi duca. Fizeram um terceiro. E um quarto. Um quinto. Um sexto. Fizeram também, a essa altura, uma nova série, passada 80 anos depois ou quase, dos eventos da primeira série. Fizeram mais outra série, e outra, e outra. Também fizeram mais quatro filmes.

Mas talvez tenham feito demais. Mas como resistir? Era lucrativo demais para não se manter o nome vivo - fora jogos e uma miríade de produtos franqueados. Uma galinha dos ovos de ouro. Não obstante alguma coisa ter se perdido... menos ideais, mais expediência, talvez. Mais histórias em cima de efeitos especiais. Reciclagens de velhos temas abordados, apresentados sob novos efeitos. Algo simplesmente não dava mais certo.

Star Trek: To The Absent Friends

Há dez anos ou o que seja que eu me refiro a Jornada Nas Estrelas como um querido amigo de infância, companheiro de todas as horas, e até de início de adolescência, mas que lá pelas tantas passou a se envolver com más companhias e drogas pesadas: eu o trato com preces, saudades, e uma saudável distância.

Mas ai, é claro, quando ele aparece, fraquejo, e vou vê-lo. Apenas para constatar que nada mudou, ou que assim todos nos enganamos, ou que as supostas melhoras aventadas apenas me fazem sofrer mais um pouco.

É sério. Eu fui ao cinema após longos meses de preparo psicológico, baixando como podia minhas expectativas, conforme explico um pouco mais abaixo. Eu fui com o coração tão aberto quanto pude - até com um certo entusiasmo, face à mudança do comando criativo da franquia. Eu achei que eu ia realmente curtir. Eu não achava que ia ser o ó do borogodó, eu achava que iria ser melhor do que pérolas como Insurrection ou Enemesis. Claro que isso devia ser obrigação, e não mérito, por um lado. Eu havia visto o trailer. Tudo colorido, tudo brilhante, e, de fato, tem um lens flare a cada cinco minutos, ou quase. Parecia divertido, um ótimo combate de naves, saltos de para-quedas de órbita, mais naves! Ok! Yaaay! Mas não vamos esperar mais do que isso - ei, Jornada nas Estrelas II e III são, em essência, aventuronas. Que mal há nisso? Não vamos esperar mais do que isso, repito.

Ou vamos?

O filme de J.J. Abrams tira das mãos dos responsáveis pelo afundamento da franquia, quebrando com um formalismo oriundo da segunda série de tv (caracterizada nos últimos quatro e cada vez mais desastrosos filmes), e indo na direção de algo mais aventuresco, concluído do que seria a série original dos anos 60.

Star Trek: All That Glitters

Até ai, ok, ainda que J. J. Abrams seja mais conhecido por hits de cinema (Cloverfield) e tv (Alias, Lost) que não precisem exatamente de muito conteúdo. Entre alguns amigos, havia a piada que repetíamos, "Gente!... é filme do J. J. Abrams!... vai ter gente bonita!... vai ter muita ação!... fotografia fodona!... altos efeitos especiais...! vai ser UMA MERDA!"

Ah, então é feio ter gente bonita, muita ação, fotografia fodona e altos efeitos especiais? Não, claro que não é, tá maluco?

O que é feio é só ficar nisso, especialmente se você leva o nome Star Trek na jogada, e ainda por cima quer remeter à velha série. Aquela mesma série que, ao contrário de todas as outras de FC dantanho, salvo Além da Imaginação, apesar de ser uma proposta bem diferente, era uma série que falava de racismo, males da guerra, códigos de conduta, etc, etc, e tal - podia fazer pensar E divertir - ei, revolucionário, não?

Star Trek: I Don't Give a Frak Anymore

Mas, já que vocês estão chegando até aqui, eu vou lhes contar o que realmente me fode nesse filme. Não, não é o apelo ao impetuoso-porém-sempre-certo. Não é a bicada na cronologia que existe além da questão da interferência temporal. Não é o fato de que os dois planetas centrais à trama se chamam Vulcan e Iowa. Não é o fato de se ter tanto, mas tanto e tanto já feito, e assim mesmo se abrir mão disso tudo em nome de liberdade para "criar". Não, também não é o fato de outra maldita viagem no Tempo. Não é o fato de, e sacaneio, um mineiro revoltado do Século XXIV ter conseguido fazer o que a Coletividade Borg não conseguiu. Não é o fato do vilão ser o segundo romulano com uma nave do Juízo Final na segunda vez consecutiva. Não é o fato de, apesar de ser Star Trek, a Astronomia não fazer mais sentido do que se fosse na velha série de Perdidos no Espaço. Não é o fato dos vulcanos não me convencerem. Não é o fato de sentir que nem Leonard Nimoy funciona como Spock.

Eric Bana: mineiro revoltado.

É o fato de ser mandatório gostar desse filme. Que os que não gostarem passam a "não saber o que estão perdendo". E quem tenta argumentar é "nerd chato babão". Que basta ser uma "aventura despretensiosa" - quando não há NADA, aprendam, NADA de despretensioso em qualquer projeto de milhões de dólares - para se passar a mão na cabeça por todas as suas incoerências. Eu odeio o discurso da simploriedade. E esse filme é simplório para caralho. Mas se FC reflete a mentalidade do tempo em foi escrita, então esses são os tempos da simploriedade. Filmes para o Homer Simpson não precisar entender.

E ai de quem um dia quis mais.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Blogadas - 2

Este Daniel e aquele Daniel me vieram com escritos pessoais, dessa vez. Nada mal, cavalheiros!

Aliás, o blog como suporte de crônicas é algo que me parece que cai como uma luva.

Blogadas - 1

Meu prezado Dom Aragão tem um blog próprio, além do da Intempol, onde lá ele discute dzóin, sejam seus trabalhos e experiências em sala de aula, ficção-científica e quetais. Já na coluna ao lado.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Além do Cidadão Kane

Sempre havia ouvido falar deste tal documentário de 1993 realizado pela BBC sobre a Rede Grobo e suas conexões sombrias com... bem, suas conexões sombrias. :) E que havia sido censurado pelo judiciário de passar no Brasil, etc.



É do tempo ainda da tv aberta. Não sobra muito para as demais emissoras, e na verdade tb fala como a questão do licenciamento dos meios de comunicação do país ainda está muuuito longe de ser algo correto, no sentido mais simplesmente ético da palavra.

domingo, 3 de maio de 2009

Previsões antigas...

... que viraram retrô. Eu amo isso.







Esse último aqui é motivo de discussão. Eu falo que FC aqui no Brasil é literatura de gueto, nego fica puto. Mas é.

FC é coisa de país industrializado, de tecnologia e ciência hard, e que sobretudo, como parte do investimento na indústria, acostuma a população a crer que a felicidade material está logo ali, daqui a alguns poucos anos. Ou seja, acaba acostumando a população que o esquisito tem sim, a ver com você e sua vida. A tecnologia entra no imaginário coletivo. Sem isso, não dá.

E não adianta dizer que Star Wars, Matrix e Arquivos X fazem sucesso, porquê ai é a) é uma questão de "filmes de ação" e b) uma questão de veículo, de mídia, e não de gênero. Repitam depois de mim, amiguinhos: hábito de ver televisão/ir ao cinema não gera hábito de leitura. Na melhor das hipóteses, um meio-termo, um suporte que tanto dependa de imagem como de texto: as histórias em quadrinhos.

Aqui no fazendão, se você quer escrever Horror, Fantasia, Realismo Mágico, vai fundo. Mas FC? Pouco provável.

sábado, 2 de maio de 2009

O Telhado reloaded

Pouco após voltar à blogosfera, meu prezadíssimo Dom Bezerra toma juízo e parte para um sistema mais decente... já na coluna ao lado.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Talkative Bookworm...

... é o blog de Ana Cristina Rodrigues, já na coluna ao lado. Colega rpgista, escritora de literatura fantástica, historiadora medievalista, a moça não para. Lançou o primeiro livro agora, Anacrônicas - Pequenos Contos Mágicos, que ela me concedeu a bela oportunidade de ser um dos revisores do livro.

Divirtam-se!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

The Mysterious Explorations of Jasper Morello



Dica dada pelo amiguinho Antunes, é uma excelente computação gráfica misturando 3D com teatro de sombras. A técnica era popular antigamente, precedendo mesmo o cinema filmado. A estória é passada em uma ambientação, adequadamente, a la Século XIX. É um estilo de literatura (aspas, aspas) fantástica que se chama hoje de em dia de steampunk, embora a extrapolação aqui esteja bem mais forte do que o normal. Mas o jeitão de época, não só nas soluções gráficas como na ciência esquisita, especialmente na estória, está lá.

Veio por uma certa Monster Distributes, nunca ouvi falar. Mas espero que venham com mais material como este em breve.

Pro Dia Nascer Feliz...



Sapatadas e sapatadas...

domingo, 26 de abril de 2009

Eu queria ser alguém...

... próximo de ser Alguém para poder ser o 114o. a assinar isto aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Senado pra quê, mesmo?

Vamos lá.

As legislaturas estaduais e municipais têm uma só câmara. Porque a federal tem que ter duas?

Outro dia percebi que tradição é ótima até a hora que mata a si própria. Herda-se um "senado" desde os tempos de Roma. Bem, de lá pra cá, a representatividade mudou, e a noção de uma "Gerusia" me parece desproposital - não estariam melhor estes que são os políticos mais experientes próximo dos não tão experientes assim, na dita "câmara baixa", ensinando-lhes até boas maneiras?

O quanto se economizaria se nos livrássemos deste Senado, se adotássemos o regime unicameral? Mas é nos livrarmos, mesmo, mantendo uma proporção de cargos eleitos anteriores, nada de "agregar valores" de gastos e encargos.

Claro que isto teria que passar por uma reforma geral e antipática que passaria até pelo sistema eleitoral: em nossa Constituição de 88, mais reverenciada do que a Bíblia, há um lindo artigo em que óóó, que democrático!, diz que qualquer um pode se candidatar ao Legislativo.

Lixo demagógico sem um pingo de compromisso com a realidade, é claro.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Fascismo Indígena...

... é o artigo do meu caríssimo Barone lá no Escrevinhamentos, a respeito da nova constituição boliviana e como as teses racistas/discriminatórias de esquerda sempre parecem crer que é "pela melhor das intenções/causa" etc.

É oportuno, parece-me uma situação brasileira exagerada. Ah, então é outra realidade a dos bolivianos? Sim, é, claro que é. Mas não me parece que estejamos tão distantes assim.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Enquanto isso...

... é, na verdade, o blog - já na coluna ao lado - de Carlos Eugênio Batista, meu prezado Patati, a quem conheci nos idos da grande e saudosa I Bienal de Histórias em Quadrinhos do Rio de Janeiro, em 1991. Patati é roteirista de HQs e já publicou dois romances, com uma nova obra indo para a gráfica. Seja bem-vindo, parabéns e sucesso, velhão!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dubai

Dubai, o paraíso materialista na Ásia Menor, a mega-cidade ultradesenvolvimentista, que faria parecer Brasília e JK como algo tímido, também tem seu lado sombrio.

É o que nos conta o jornalista Johann Hari, do inglês The Independent, em seu artigo The Dark Side of Dubai.

Por trás de um paraíso de concreto armado, há um inferno em termos de censura da imprensa, leis árabes 'old style', desconhecimento generalizado dos Direitos Humanos, poluição galopante devido a uma infra-estrutura de esgoto antiga que não acompanhou o desenvolvimento (pensem em uma Barra da Tijuca mil vezes pior), e muito, muito, mas muito trabalho escravo - com empresas de recrutamento de operários sumindo com o passaporte dos novos operários, tão logo eles pisam em Dubai - e isso é apenas o começo.

Estarrecedor.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Da Reforma Ortográfica

A dona moça aqui levantou uma lebre interessante: a quem realmente interessa essa reforma ortográfica dos países de língua portuguesa? o fato é que editoras da terra de Camões se beneficiariam de uma só maneira de escrever o texto, ao economizar em versões idiomáticas locais. Será que a indústria livreira brasileira conseguiria resistir? E ainda, será que teremos livre acesso do lado de lá do atlântico, likewise?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Telhado is back

Tomando vergonha na cara, meu estimado Dom Bezerra retorna com O Telhado de Vidro, que consta da coluna ai ao lado. Bem-vindo de volta!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

De Omissões e Tragédias...

A Itália passou por um terrível sismo. A cada dia que se passa, menores as chances de se resgatar alguém com vida.

Gianpaolo Giuliani é um geólogo que chegou a ser denunciado à polícia por promover pânico, por antever o fenômeno.

Cinco anos atrás, no tsunami da Indonésia, outro cientista que também antevia um desastre vindo foi igualmente afastado por interesses políticos e econômicos.

Tenho a firme impressão que, se de "cientista" a profissão dos afastados em questão fosse "jornalista", a imprensa global estaria chiando loucamente sobre censura e direito de informar/do público ser informado. Ou será que, realmente, está tudo sempre na dependência de uma espécie de máfia corporativa, que só reage quando sente que um de seus integrantes está ameaçado? Alô, Barone, estou exagerando? E penso não só tudo isso:

Não deveriam ser os responsáveis por essas omissões serem acusados de crimes contra a Humanidade?

domingo, 5 de abril de 2009

E falando nos Incríveis...

... revi hoje de tarde.

Já vinha querendo há algum tempo, tinha mais de ano que não abria o dvd. Pelo menos.

E estava tudo lá. Um dos filmes mais redondos que eu conheço. Uma trilha sonora fenomenal, tudo emoldurando. Uma evocação dos filmes de espionagem (especialmente James Bond, mas não exclusivo a) e séries similares de anos 60/70, seja na trilha, seja no tratamento do tema, até os props - mobiliário, revistas, casas, etc. Tudo sutil, mas está lá, uma vez que ainda é passado nos tempos atuais.

Havia dito, logo abaixo, que é um tratamento similar que ocorre em Monstros vs. Alienígenas, pois evoca filmes B de anos 50/60.

O que me leva a pensar se a tal evocação não é uma forma de se manter o moderno folclore. Explico.

Outro dia, conversando sobre direito autoral com a moça aqui, eu dizia que não acreditava que fosse possível fazer folclore nos dias de hj, além de ficar eternamente citando lendas do passado. Disse ela, "Harry Potter", como exemplo. Já eu disse que ser mitológico não tem model sheet ou direito autoral. Em um mundo em que não dá para patentear "Pinóquio", mas sim sua representação gráfica, como ter esta espontaneidade? Onde a evocação é olhada firmemente por ciosos advogados? Há casos da Disney cobrar de escolinhas e creches seu material pintado na parede, para ambientar crianças. Ou do nosso ECAD invadindo simples festa de criança para cobrar de um pai o direito de reprodução do som da festa (eu não consigo pensar em algo mais fascista, mas enfim...).

Claro que sempre poderá haver crianças, digamos, brincando de Harry Potter ou Senhor dos Anéis entre si (supondo que haja momentos sem o videogame o suficiente para isso, e na verdade crianças que brinquem disso), e brincadeira de criança também é folclore. Ok.

Amigos meus se envolvem com a estranha prática do fanfic: escrita, gratuita para não tomar processo no rabo, de contos de idéias já existentes, como sagas de fantasia, ou até mesmo super-heróis. Por muito tempo achei o fanfic uma boa perda de tempo e criatividade, quando se podia estar fazendo algo próprio (não obstante ter feito o meu As Letais Lágrimas de Lois, que um dia tomo coragem e puxo do fundo do HD). Hoje em dia, entretanto, penso se isso não é uma maneira também de se gerar folclore sobre o que está sedimentado; uma vez que o ser imaginário de hoje em dia, ao contrário de tempos idos, em que várias versões eram apresentadas, por mais até contraditórias que às vezes fossem, eram de quem assim quisessem encarar. O ser imaginário de agora é preso, como citei acima, por direitos autorais e model sheets, e só há uma versão dos fatos a seu respeito (até levando em conta as contradições que não raro grassam em suas próprias histórias, uma vez que todas são igualmente protegidas pela lei).

Ou seja, dá pra haver uma renovação de verdade do folclore, daqui por diante, pelo menos uma que não pise em ovos quanto a questão de ferir direitos autorais (e dai o que Os Incríveis e Monstros vs Alienígenas entraram na conversa)? Não sei. Hoje em dia, as novas idéias, especialmente as que facilmente pegam no gosto do povo, são registradas antes. Será que o futuro do folclore algo a ser ditado pelas regras do mercado? Ou será que o folclore como conhecemos, espontâneo, popular, sem um dono de sua verdade por trás, na verdade chegou ao seu limite natural, face ao que nossa sociedade se tornou?

Mas Os Incríveis continua sendo genial, recomendo muito a todos... :)

É. Hoje foi um dia de verve.

Monstros vs Alienígenas



Assisti ontem Monstros vs. Alienígenas. É o mais novo lançamento da Dreamworks (Shrek), a criançada no cinema pareceu curtir. Vi numa sessão infantil, arrastado por um amigo meu que queria ver a quantas andava o 3D da coisa, ok.

Os óculos não eram descartáveis, o que me deixou cabreiro. Pedi informações, informaram-me que após cada sessão eles eram submetidos a um banho químico e não sei mais o que. De fato, os tais óculos - que até chip antifurto tinham - estavam até com um cheirinho de sabonete, ou algo assim. Devia ser era um desinfetante da porra, daqueles que dissolvem seu dedo se mergulhado por 20 segundos, mas, ok.

Achei meio cansativo, ainda que impressionante, o 3D da coisa. A sessão terminou, senti os olhos ardendo um pouco, estando incômodo até agora. Nota: eu uso óculos, ou seja, não sendo aqueles de grau, foi um sobre o outro. Talvez seja por isso. Enfim.

A animação foi feita pensando na projeção 3D, isso me pareceu claro, face os ângulos, close-ups e enquadramentos.

A história é sobre um grupo de monstros mantidos em custódia e segredo pelo governo americano que acabam sendo a única possibilidade de defesa, face uma invasão alienígena.

Tirando isso, é um filme que tem uma segunda leitura que os mais adultos e mais nerds podem reconhecer: os monstros são inspirados em filmes B dos anos 50 e 60: O Monstro da Lagoa Negra, a Bolha Assassina, um monstro gigante japonês (inspirado em Mothra), A Mosca da Cabeça Branca e a protagonista, que é a Mulher de 50 pés de altura, que até ganhou refilmagem com a Daryl Hannah. Fora uma penca de outras referências de shows similares na mesma nerdsfera.

Curiosamente, a história ainda passa por um desenvolvimento similar ao que se vê em obras como "Shrek" (um dos diretores dirigiu Shrek 2, aliás) e Hellboy 2, a do monstro de bom coração que ajuda a todos e que continua sendo tratado como lixo. Pode ser um tema legal a ser passado para a criançada.

A história lembra um pouco o retumbante Os Incríveis (da Pixar), e não só pelo character design dos humanos


(que, ok, não é história), mas a idéia de brincar com referências cinematográficas de FC, super-heróis e filmes de aventura (espionagem no caso do primeiro, terror-B no caso deste de agora), ou seja, com um referencial cultural mídia-de-massas, está lá. Penso se as referências de videogame não durarão a entrar, se é que já não entraram (sim, já entraram, vira e mexe a geração Atari é de alguma forma representada. Mas lances mais recentes, digo, dos quais não tenho idéia).

Confesso que gostaria de ter visto o lado alien-referencial ter sido explorado da mesma forma, mas infelizmente só havia um alienígena que foi o modelo de todos os outros, este juntando as referências básicas de ser cinza e cabeçudo. Há um quê dos trípodes marcianos, mas fica tudo muito quieto, digamos, em termos de referência.

Eu não sei a quantas anda o cinema 3D, ou se Ms x As é algum breakthru. Só sei que recomendo, a dublagem está boa (Guilherme Briggs, o eterno Freakazoid, roubando a cena, como sempre), a criançada na minha sessão curtiu (especialmente o 3D da coisa).

Recomendo, é bastante divertido, no saldo final.

sábado, 28 de março de 2009

Que Mal Faz?

Infelizmente em inglês, What's the Harm? é um site dedicado a coletar casos de pessoas que se deram mal - morreram, até - por acreditar em ciência fajuta, cultos, teorias da conspiração, etc. e tal - ou, como diz o site, por "não pensarem criticamente".

Heh. Pareceu-me uma espécie de ante-sala para o Prêmio Darwin.

Kill Bic

Há pouco tempo atrás, a Bic - sim, a marca de esferográficas - alcançou a marca de 60 bilhões de unidades vendidas. Há uma média de 10 canetas Bic para cada habitante do planeta. Sob um certo aspecto, a Bic é um grande símbolo de sucesso da Revolução Industrial, com praticidade, acessibilidade financeira, replicação, etc. Está sem caneta? Se no trabalho, puxe alguma gaveta, estenda os braços ao redor ou simplesmente peça emprestado a quem estiver mais próximo: provavelmente em 10 segundos você poderá estar escrevendo.

Ok, até ai? Pois bem.

Pouco tempo atrás, uma senhora conhecida minha tomava notas em um prestigioso centro cultural em São Paulo, localizado na Av. Paulista. Com sua pequena, humilde, e impessoal caneta Bic. Uma atendente se dirigiu a ela e pediu que não escrevesse com a caneta, pois ela poderia estourar e prejudicar o andamento do centro.

Não, não estou inventando nada disto. Pensem: é idiota demais para não ser verdade.

Fico pensando agora que a Bic deve estar por trás, se não for a fachada, de um plano terrorista de dominação global. Dez bilhões de canetas ao redor do mundo. Onde quer que haja uma pessoa letrada, ou uma criança desenhando. Hospitais, escolas, fábricas, escritórios, bases militares, palácios de governo, nas valises, nas mochilas escolares, no bolso das roupas. Sentadas, deitadas ou andando, ninguém - NINGUÉM - está a salvo.

Sesenta bilhões de pontas de tungstênio - e eles se vangloriavam disso na televisão, aqueles caras de pau! - sendo disparadas ao mesmo tempo, em todas as direções, contra tudo e contra todos, sem discriminação de classe, credo ou cor. Imagino já centros comerciais como a Wall Street, ou mais humildemente nossa Av. Rio Branco, com borrões azuis-marinho em suas fachadas, escorrendo por janelas, pessoas caídas na rua, com seus corpos já automaticamente demarcados por onde a tinta não escorreu.

O mesmo ocorrendo pela Avenida Paulista inteira - inteira? Não! Há um prestigioso centro cultural que a isto anteviu, e ele permanece limpo, incólume, funcional, em meio ao pandemônio melecado em que se tornou a sociedade.

Não há datas para isto, mas suspeito de 24 de Dezembro de 2012 - ao menos o tal calendário maia está na moda, deve ser por algum motivo.

E a tal senhora, o que fez? Pegou, obediente, um lápis e pôs-se a escrever...

... claro, mal sabendo o prestigioso instituto que, secretamente, há uma conspiração da indústria do lápis encabeçada pela Faber-Castel para entupir os filtros de ar-condicionado com poeira de grafite (não riam! Aconteceu isso na finada estação espacial soviética!), além de acidentes provocados por assassinas pontas quebradas voadoras. Cultura gera Medo, senhoras e senhores. Não escrevam mais, apenas digitem com seus amiguinhos de todas as horas, os teclados.