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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim de ano animado!

Dois filmes chamam a atenção da mídia e do público neste fim de ano, e estão a aportar nos cinemas brasileiros. Ambos têm em comum a animação!

Sexta próxima, dia 12, teremos A Princesa e o Sapo, da Disney, sendo o primeiro desenho animado da Casa do Mickey que basicamente é animação a traço desde o fraquíssimo A Vaca vai pro Brejo (e como...), quando os executivos de então deram por encerrado fazer animação "de traço" porque, segundo as antas d'antanho, "3D é o que vende hoje em dia", tendo como base as cifras de Shrek e o que saia pela Pixar, em comparação com obras automaticamente cheirando a mofo como Irmão Urso (Disney) ou Spirit - O Corcel Indomável (Dreamworks), para não dizer a infelicidade financeira de projetos caríssimos como Atlantis e O Planeta do Tesouro (este, o primeiro caso sofrido pela Disney de prejuízo vindo de uma longa de animação).

Mas desde que parte do staff criativo da Disney é da Pixar, logo após a compra desta por aquela, esta bobagem - que custou o emprego de 300 animadores do dia pra noite - acabou.

A Princesa e o Sapo tem, ainda, a primeira "princesa Disney" que é negra, e há uma certa sensação sobre divulgar isso. Aparentemente o não-caucasianismo da Princesa Jasmin, de Aladdin, não contou. ;-) A trilha sonora, da última vez que soube, é jazz "raiz", bem das antigas. Acho, inclusive, que a estória se passa na Nova Orleans de 100 anos atrás, ou algo assim.

Sexta, 18 de Dezembro, teremos o tão aguardado Avatar, de James Cameron. Apesar de ser um filme 'filmado', live-action, ele tem sequências inteiras de computação gráfica 3D, especialmente quando no mundo alienígena onde parte da trama se passa. Meio o caminho trilhado pela nova trilogia de Star Wars, The Matrix, o O Senhor dos Anéis e outras obras, onde a inserção de computação gráfica 3D passa, de mera "decoração", a um elemento importante na narrativa, indo além dos cenários para montar, ou co-montar personagens irreais, contracenando com atores.

Vamos ver como ficarão!

domingo, 5 de abril de 2009

E falando nos Incríveis...

... revi hoje de tarde.

Já vinha querendo há algum tempo, tinha mais de ano que não abria o dvd. Pelo menos.

E estava tudo lá. Um dos filmes mais redondos que eu conheço. Uma trilha sonora fenomenal, tudo emoldurando. Uma evocação dos filmes de espionagem (especialmente James Bond, mas não exclusivo a) e séries similares de anos 60/70, seja na trilha, seja no tratamento do tema, até os props - mobiliário, revistas, casas, etc. Tudo sutil, mas está lá, uma vez que ainda é passado nos tempos atuais.

Havia dito, logo abaixo, que é um tratamento similar que ocorre em Monstros vs. Alienígenas, pois evoca filmes B de anos 50/60.

O que me leva a pensar se a tal evocação não é uma forma de se manter o moderno folclore. Explico.

Outro dia, conversando sobre direito autoral com a moça aqui, eu dizia que não acreditava que fosse possível fazer folclore nos dias de hj, além de ficar eternamente citando lendas do passado. Disse ela, "Harry Potter", como exemplo. Já eu disse que ser mitológico não tem model sheet ou direito autoral. Em um mundo em que não dá para patentear "Pinóquio", mas sim sua representação gráfica, como ter esta espontaneidade? Onde a evocação é olhada firmemente por ciosos advogados? Há casos da Disney cobrar de escolinhas e creches seu material pintado na parede, para ambientar crianças. Ou do nosso ECAD invadindo simples festa de criança para cobrar de um pai o direito de reprodução do som da festa (eu não consigo pensar em algo mais fascista, mas enfim...).

Claro que sempre poderá haver crianças, digamos, brincando de Harry Potter ou Senhor dos Anéis entre si (supondo que haja momentos sem o videogame o suficiente para isso, e na verdade crianças que brinquem disso), e brincadeira de criança também é folclore. Ok.

Amigos meus se envolvem com a estranha prática do fanfic: escrita, gratuita para não tomar processo no rabo, de contos de idéias já existentes, como sagas de fantasia, ou até mesmo super-heróis. Por muito tempo achei o fanfic uma boa perda de tempo e criatividade, quando se podia estar fazendo algo próprio (não obstante ter feito o meu As Letais Lágrimas de Lois, que um dia tomo coragem e puxo do fundo do HD). Hoje em dia, entretanto, penso se isso não é uma maneira também de se gerar folclore sobre o que está sedimentado; uma vez que o ser imaginário de hoje em dia, ao contrário de tempos idos, em que várias versões eram apresentadas, por mais até contraditórias que às vezes fossem, eram de quem assim quisessem encarar. O ser imaginário de agora é preso, como citei acima, por direitos autorais e model sheets, e só há uma versão dos fatos a seu respeito (até levando em conta as contradições que não raro grassam em suas próprias histórias, uma vez que todas são igualmente protegidas pela lei).

Ou seja, dá pra haver uma renovação de verdade do folclore, daqui por diante, pelo menos uma que não pise em ovos quanto a questão de ferir direitos autorais (e dai o que Os Incríveis e Monstros vs Alienígenas entraram na conversa)? Não sei. Hoje em dia, as novas idéias, especialmente as que facilmente pegam no gosto do povo, são registradas antes. Será que o futuro do folclore algo a ser ditado pelas regras do mercado? Ou será que o folclore como conhecemos, espontâneo, popular, sem um dono de sua verdade por trás, na verdade chegou ao seu limite natural, face ao que nossa sociedade se tornou?

Mas Os Incríveis continua sendo genial, recomendo muito a todos... :)

É. Hoje foi um dia de verve.

Monstros vs Alienígenas



Assisti ontem Monstros vs. Alienígenas. É o mais novo lançamento da Dreamworks (Shrek), a criançada no cinema pareceu curtir. Vi numa sessão infantil, arrastado por um amigo meu que queria ver a quantas andava o 3D da coisa, ok.

Os óculos não eram descartáveis, o que me deixou cabreiro. Pedi informações, informaram-me que após cada sessão eles eram submetidos a um banho químico e não sei mais o que. De fato, os tais óculos - que até chip antifurto tinham - estavam até com um cheirinho de sabonete, ou algo assim. Devia ser era um desinfetante da porra, daqueles que dissolvem seu dedo se mergulhado por 20 segundos, mas, ok.

Achei meio cansativo, ainda que impressionante, o 3D da coisa. A sessão terminou, senti os olhos ardendo um pouco, estando incômodo até agora. Nota: eu uso óculos, ou seja, não sendo aqueles de grau, foi um sobre o outro. Talvez seja por isso. Enfim.

A animação foi feita pensando na projeção 3D, isso me pareceu claro, face os ângulos, close-ups e enquadramentos.

A história é sobre um grupo de monstros mantidos em custódia e segredo pelo governo americano que acabam sendo a única possibilidade de defesa, face uma invasão alienígena.

Tirando isso, é um filme que tem uma segunda leitura que os mais adultos e mais nerds podem reconhecer: os monstros são inspirados em filmes B dos anos 50 e 60: O Monstro da Lagoa Negra, a Bolha Assassina, um monstro gigante japonês (inspirado em Mothra), A Mosca da Cabeça Branca e a protagonista, que é a Mulher de 50 pés de altura, que até ganhou refilmagem com a Daryl Hannah. Fora uma penca de outras referências de shows similares na mesma nerdsfera.

Curiosamente, a história ainda passa por um desenvolvimento similar ao que se vê em obras como "Shrek" (um dos diretores dirigiu Shrek 2, aliás) e Hellboy 2, a do monstro de bom coração que ajuda a todos e que continua sendo tratado como lixo. Pode ser um tema legal a ser passado para a criançada.

A história lembra um pouco o retumbante Os Incríveis (da Pixar), e não só pelo character design dos humanos


(que, ok, não é história), mas a idéia de brincar com referências cinematográficas de FC, super-heróis e filmes de aventura (espionagem no caso do primeiro, terror-B no caso deste de agora), ou seja, com um referencial cultural mídia-de-massas, está lá. Penso se as referências de videogame não durarão a entrar, se é que já não entraram (sim, já entraram, vira e mexe a geração Atari é de alguma forma representada. Mas lances mais recentes, digo, dos quais não tenho idéia).

Confesso que gostaria de ter visto o lado alien-referencial ter sido explorado da mesma forma, mas infelizmente só havia um alienígena que foi o modelo de todos os outros, este juntando as referências básicas de ser cinza e cabeçudo. Há um quê dos trípodes marcianos, mas fica tudo muito quieto, digamos, em termos de referência.

Eu não sei a quantas anda o cinema 3D, ou se Ms x As é algum breakthru. Só sei que recomendo, a dublagem está boa (Guilherme Briggs, o eterno Freakazoid, roubando a cena, como sempre), a criançada na minha sessão curtiu (especialmente o 3D da coisa).

Recomendo, é bastante divertido, no saldo final.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Madagascar 2




Assisti. Tem o mérito de conseguir fazer rir de velhas piadas, ao mesmo tempo que introduz algumas novas.

Achei que é mais comportado: nada de referências a drogas ilegais, por exemplo.

O humor histérico bem cartunesco está lá. Entretanto, escolha consciente, resolveram dar um tratamento à selva africana (não é em Madagascar, embora lá comece, que se desenrola a história) realista, de filmagem. Bem, é bonito de qualquer maneira, sem dúvida: mas eu prefiro o charme daquela selva cartunesca do primeiro.

sábado, 23 de agosto de 2008

Momento velho moralista...

... eu não sei porque a crença de que quem tem tv por assinatura não tem crianças em casa ou algo assim.

Aos interessados de plantão: quem tiver o plano expandido da Net, e se preocupar com filhos pequenos em casa, aconselho tomar cuidado com o canal que atualmente ocupa o #90, Ani max, destinado a passar animação japonesa 24h por dia, e alguns filmes de ação, aventura, mistério, etc. Até ai, tudo bem, rolam algumas coisas bem interessantes, como Gankutsuou, uma releitura bastante criativa do clássico de Dumas, pai, O Conde de Monte Cristo.

O problema é que não apenas anunciam, como passam algumas animações em plena luz do dia - não vou nem entrar na questão da violência - com alguns temas como prostituição juvenil e cenas sugestivas, como nudez feminina de perfil, e coisas assim. Há a opção de bloquear os canais pelo controle remoto.

Para um adulto tarado que nem eu, o que mostra já não significa nada. Mas para quem tem criança em casa e responsavelmente se preocupa com conteúdo, está dado o toque.

sábado, 2 de agosto de 2008

Desenho animado dublado...

1) Ok, o público-alvo primário é o infantil (que é o mais rentável mercado de DVDs, diga-se de passagem).

2) Ok, que me dizem, o trabalho tanto de tradução quanto de interpretação - salvo 'famosos' da vez, como o Bussunda - vêm melhorando nos últimos anos.

3) Ok, os dubladores se organizaram, e batalham cada vez mais oportunidades de trabalho para si.

Errado então sou eu que a) sou adulto que gosta de desenhos animados, b) que tem domínio até razoável de inglês, podendo identificar e curtir piadas no idioma original e que c) acredita que entretenimento deveria significar opção.

Enfim...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Belo e trágico...

... como o tango. En tus brazos.

Tango, Borges e Buenos Aires. Malditos argentinos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

What's Opera, Doc?



Um dos mais ambiciosos projetos da Warner Brothers para animação, What's Opera, Doc? (1957) é baseado no ciclo de óperas O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner. Curiosamente, naquilo que, em minha humilde opinião, é o "meaty stuff" da animação, o que vemos são passos e passo de ballet clássico, com dois rigorosos minutos de animação, dos 3:21 ais 5:21 do arquivo acima.

Segundo o IMDB, dois bailarinos que haviam já trabalhado em Fantasia (1940), no segmento da Dança das Horas, foram usados como modelos. Explica muita coisa.

Gostaria de ser mais otimista. Mas creio que o Brasil chegou à Animação no Século XXI, sem ter passado pelo Século XX. Não há estrutura que apóie ou justifique a criação de um curta assim. Jamais faremos Pernalonga nos anos 50, ou Betty Boop nos anos 30, ou Disney nos anos 40, ou, ou e ou...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Novas animações Pixar/Disney anunciadas até 2012

É só clicar aqui.

Que tenha chamado a minha atenção, The Princess and the Frog: uma história passada em Nova Orleans, sobre o nascimento do Jazz. E ainda, em técnica de animação tradicional, ou seja, desenhado e animado à mão.

E King of Elves, baseado em um conto do autor de FC Philip K. Dick (Blade Rnner).

sábado, 29 de março de 2008

Radiografia da genialidade...

... ou, mais simplesmente, as model sheets de The Iron Giant.

Ok, eu sou um fã babão do Brad Bird (Os Incríveis, Ratattouille), mas pqp!

No Brasil, ele apenas passou, na tela grande, no Anima Mundi de 2000, primeiro ano da Praça Animada, ao lado do Centro Cultural dos Correios e Telégrafos. Quando perguntei a um dos diretores do evento sobre um longa comercial sendo passado em uma mostra de autorais, ele disse que não tinha a ver com o perfil, mas era um filme tão foda que, quando souberam que ia sair direto pra vídeo, ele tinha que ser passado em algum lugar com tela de cinema, para fazer a justa homenagem. Não pude concordar mais.

Lembro dum camarada na platéia, na fila atrás de mim, espontâneo, quando as luzes se acenderam, "Titan Aé o caralho!!! Isso é que bom!!!"

Indeed.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Até que enfim!


Levou 20 anos para sair na Botocúndia, mas afinal, está aqui. Talvez seja a grande obra de Katsuhiro Otomo (Metropolis, Steamboy), que nos prepara algo para 2009. A série original em quadrinhos, que leva, acho, cerca de 40 volumes para ser concluída, tentou ser vendida aqui no Brasil, mas acho que não chegou a completar. Era a Editora Globo, eu acho.