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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Ouvido ainda agora: seria interessante se os Jogos pudessem ser em Brasília, pois poderia se tornar uma fonte de trabalho para as populações flutuantes de Rio e São Paulo, além das cidades-satélites brasilienses, que se não me engano começaram como cidades-dormitório dos trabalhadores que ergueram a capital nacional.

Os números do Pan preocupam até hoje: se não me falha a memória, dos 700 e algo milhões inicialmente orçados, a festa toda foi a mais de um bilhão de reais. Pergunto-me: ora bolas, não são os Jogos internacionais? Deveria haver um comitê igualmente internacional para fiscalizar as contas.

Enfim...

Adendo: Em 2006, Montreal finalmente pagou por seu estádio olímpico... de 1976.

Adendo 2: excelente artigo, no dia 2/10, sobre o assunto no Gravata.

domingo, 24 de agosto de 2008

O País dos Ingratos

Eu não deixo de ter esta sensação ao término desses jogos olímpicos.

Se não tiver um investimento emocional povão embutido E não for ouro, não nos interessa nem comove. Ainda xingamos, no último caso.

Achei o 'teaser' de Londres 2012 fraquinho que só, e o encerramento podia ter terminado naquela torre cheia de acrobatas. Cantoria pop chinesa eu tô fora.

Mais em quatro anos.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Sorriso do Dragão

Meu prezadíssimo Victor Barone escrevinhou um ótimo texto sobre a ditadura chinesa e a prática da propaganda e mentira associada às Olimpíadas.

Reproduzindo o comentário que deixei, males da Era do Veja-Bem: desde a queda do Muro de Berlim que a polarização das idéias arrefeceu, e o mínimo de preço a pagar por apontar que o outro rei está nu - aturar que se aponte o rei de cá, digamos - não mais é aturado.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos, hein? - III

Ok, eu realmente deveria deixar esses Jogos de lado. O lance de correr tudo em uma ditadura escrota como a China realmente pega. Deve ser um dilema parecido como o de 1970 e a copa do mundo que deu o Tri ao Brasil, no auge da milicada.

Como em 70, deveria-se ter alguma reação não do COI, que são um bando de vendidos, mas da própria base, ou seja: os atletas. Mas já que o patrocínio, o ego e a obstinação (não necessariamente nesta ou em qualquer ordem) vêm antes, paciência.

Bom ver que há quem fale ainda contra isto. No blog Além do Jogo, uma matéria sobre isso, mostrando inclusive a ótima foto de uma nadadora alemã contra a perseguição política na China.

Mas aqui em casa a turma é fanática, e eu acabo assistindo.



Até porque eu tenho minhas torcidas próprias. A moça acima descobrimos na olimpíada passada, no momento em que as meninas do vôlei tomavam uma coça da China ou Coréia, algo assim. Irritados, mudamos pra outro canal. Tinha um close em uma bela moça, falando rápido e sozinha, como se fosse uma possuída. Em seguida ela ganhava medalha de ouro e estabelecia novos recordes, olímpico e mundial. Hoje de manhã foi a mesma coisa. Medalha de ouro e novos recordes, olímpico e mundial. 5,05m, aliás. Vai encarar?

O tom triste foi da atleta da mesma categoria Fabiana Murer, que simplesmente teve a vara de salto perdida pela organização chinesa (uma sacanagem com ela e em dois atos, já que as piadas infames já começaram). Até o técnico da bicampeã acima foi chiar junto com o brasileiro. Sabem, eu acho isso engraçado. De país com arsenal nuclear ninguém perde nada.

Da Rússia, por exemplo. Que enquanto os Jogos que um dia interrompiam guerras ocorrem, eles entram com areia na República da Geórgia.



As moças acima, de uma categoria de tiro, são da Rússia e da Geórgia, confraternizando no pódio. Isto deveria ser destacado mais na imprensa.

E a essas tantas, vai ficando óbvio que não haverá abertura política de porruma, conforme promessas para o COI (oh, tadinhos, eles acreditaram!); mas antes o reforço de propaganda de um sistema autoritário, carregando o nacionalismo nas tintas. Na terra do filho único, isto será nefando.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Qual a Natureza...

... a China prevalecerá pelos números.

Quem viu a abertura dos Jogos, sabe do que falo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Jogos Olímpicos, hein? II

Em Março chiei sobre os Jogos Olímpicos. Chiarei mais um pouquinho.

Perguntando sobre essa chiadeira a um amigo meu, atleta, ele achou que era isso mesmo. Conversando a respeito da 'base' - ou seja, os próprios atletas - poderem fazer eles mesmos a greve contra a idéia do COI fechar acordo com a maior ditadura do planeta, ele titubeou, uma vez que poder ir aos Jogos Olímpicos são a coroação do esforço de uma vida. É. Compreendo. Lembrei que as Olimpíadas de 80 foram, afinal, na capital da então URSS.

Em 1968, este ano fatal, nas Olímpiadas de Verão na Cidade do México, o primeiro e terceiro lugar nos 200 metros rasos, Tommie Smith e John Carlos, atletas americanos, negros, ao pódio durante a execução do Hino Nacional americano eles ergueram punhos fechados com luvas negras, em prol da pobreza dos negros americanos. Deu zica, foram expulsos da comitiva americana, da vila olímpica, só faltou perder a medalha.

Além de ser um delicioso exemplo de 'emoção não programada' de eventos ao vivo, confesso que gostaria de ver algum stunt desses no pódio chinês, alguma hora. Claro que não seria transmitido, a maior ditadura do planeta está aplicando um delay de alguns segundos em transmissões ao vivo, para evitar que imagens politicamente incorretas 'ofendam o povo chinês', como eles gostam de colocar.

Mas certamente saberíamos do ocorrido, e as imagens acabariam surgindo. E lavaríamos a alma. Alguém teria feito algo pela redenção do pecado de nossas omissões.

Ainda a ver...

terça-feira, 25 de março de 2008

Jogos Olímpicos, hein?

Deixa ver se eu entendi.

O maior regime ditadorial do planeta desce o sarrafo em um país soberano conquistado desde os anos 60, e ainda vai sediar os próximos Jogos Olímpicos.

Promessas de boicote são desmentidas por qualquer país de tradição democrática, todo mundo apenas parece dar de ombros e dizer 'é, pois é. Não. Feio, pare. Hum, não parece adiantar muito...'

Lembro da época do Massacre da Paz Celestial, que levou o galante PT de então a romper ligações diplomáticas* com o Partido Comunista Chinês, oh! Que bravura! Que gesto!

Do PT galhofante de agora, não ouvi palavra.

Dos atletas, ouvi muito menos. Talvez eu esteja com cera no ouvido. Ou não procurando o suficiente. Talvez eu, aposentado do halterocopismo e apenas atuante no arremesso de dados a curta distância, esteja me metendo a saber o que são ideais de esporte mais do que aqueles que praticam. Talvez eu esteja idealizando demais um mundo que, pra princípio de conversa, nunca o foi - ou não seria mundo, seria o modelo de idéias que Platão descrevia. Sabem como é, Platão, Jogos Olímpicos, idéias e ideais, etc. Devo ter feito alguma confusão. Jurava, entretanto, que o aprimoramento do corpo e da mente deveria vir com alguma espécie de aprimoramento do espírito, traduzível em algum aprimoramento se não moral, ético. E que os ideais costumam ter ligações bem próximas, aqui e ali, quase como uma grande família, onde quando cai um, todos sofrem.

Mas ei, a bolsa tem que se justificar, e os patrocinadores têm que aparecer e vender, e as contas têm que ser pagas, afinal.
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* eu jurava que só países podiam romper ligações diplomáticas, mas que sei eu?

P.S. - Vi agora que a França pode boicotar os Jogos, se a China não abrir o diálogo. Já é alguma coisa.