Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Zé Brasil



Zé Brasil é o último livro de Monteiro Lobato, onde ali o discurso eugênico como fonte dos problemas do povo brasileiro é trocado pelo abandono do mesmo pelas autoridades que deveriam resguardá-lo, autoridades ao lado dos grandes fazendeiros e patrões. Pelo teor e por ter sido impresso pela gráfica do Partidão, foi tachado de obra comunista, e recolhido no governo Dutra.

"Mas como a gente há de saber, se cada um diz uma coisa? Jornal eu não leio, mas o Chico Vira lê e outro dia me disse que os jornais andam falando horrores do comunismo. Os jornais deles, está claro que dizem horrores. Mas os jornais comunistas, ou do Prestes, esses dizem as coisas do modo diferente. Em que vocês devem acreditar? No que dizem os Tatuíras e os jornais dos Tatuíras, ou no que dizem os homens que querem o bem de vocês? Os homens que padecem por vocês, como esse Prestes que já passou nove anos no cárcere, incomunicável, só porque em vez de decidir pela felicidade dos Tatuíras, se decidiu pela felicidade de Zé Brasil?"
Em tempos de Occupy, o discurso não envelheceu.

Supondo que alguém se importe, é claro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Antologia Super-Heróis - seleção finalizada.


Pois é, finalmente escolhemos quem irá participar da seleção. 14 escolhidos, entre 111 trabalhos recebidos. Segue o link para comentários a mais, a relação está abaixo.

“Edição de Colecionador” (Romeu Martins);
“Novo Herói na Cidade” (Alex Ricardo Parolin);
“Ascensão e Cancelamento do Mais Infame Supergrupo de Heróis da Terra” (Pedro Vieira);
“Roda-Viva” (Gustavo Vícola);
“O Dia de Todas as Provas” (João Rogaciano);
“Herói das Urnas” (Roberta Spindler);
“O Doutor e o Monstro” (Gerson Lodi-Ribeiro);
“A Última Aventura do Pardal Mecânico” (Dennis Vinicius);
“O Grande Golias” (Luiz Felipe Vasques);
“Pela Terceira Idade” (Inês Montenegro);
“Sete Horas” (Gian Danton);
“Barlavento 1807” (Vitor Vitali);
“A Verdade sobre Raio Vermelho, uma Biografia” (Lucas L. Rocha); e
“Jaya e o Enigma de Pala” (Antonio Luiz M.C. Costa).

Não vou dizer que é meio bizarro ver meu nome de repente aí no meio.

O trabalho ainda não acabou. Estaremos fazendo a primeira revisão dos textos ainda esta semana.

Já comentei que estou achando tudo uma farra? Pois.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Antologia SUPER-HERÓIS

Pois é, virei antologista. Junto à editora Draco e com Gerson Lodi-Ribeiro, estou co-organizando uma antologia de contos sobre super-heróis.

Mais detalhes aqui. Espero que curtam.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Os Pilares da Terra, por Ken Follet

Os Pilares da Terra, de Ken Follet. Imagem gentilmente cedida pelo blog Arquitetando Idéias.

Encerrei o primeiro volume (é o da esquerda) de Os Pilares da Terra, e tenho que arranjar urgentemente o segundo. Com quase 500 páginas, Follet mergulha no mundo medieval do Século XII, na Inglaterra, e expõe as circunstâncias da construção de uma catedral no estilo gótico na pequena e imaginária cidade de Kingsbridge.

O livro apresenta três pontos de vista, três núcleos que se encontram várias vezes, e que juntos, com seus próprios interesses, compõem a trama: curiosamente, praticamente um por classe social de então.

O núcleo de Tom Construtor apresenta o ponto de vista do homem livre, trabalhador, do não-favorecido, com todas as suas dificuldades para encontrar um emprego estável. Semi-iletrado, ele é mestre artesão de construção, e após ter trabalhado em uma catedral, sonha em ser o mestre de obras e arquiteto de uma. Sonha, ao ponto de arriscar sua estabilidade, e, em dado momento, isso lhe custa muito caro - sem spoilers aqui. Por Tom e sua família, as ruas medievais são apresentadas, os bandidos, as relações com a nobreza e o clero. Talvez seja o personagem mais interessante da trama, sendo um homem honesto, estóico, apenas tentando sobreviver e dar dignidade à sua família - e alguém com mais ambição que pode se esperar, até: mas característica cativante, ele persegue seus sonhos.

O núcleo da nobreza passa por um momento histórico, o da Anarquia, quando a linha de sucessão real inglesa se embaralha, e reis menos dignos do que a maioria reinam sob alianças com pessoas igualmente menos dignas que a maioria - entra em cena a família Hamleigh, que é humilhada após o filho sofrer uma descompostura em público do alvo de suas atenções "amorosas", a filha do Conde de Shiring. O Conde se envolve em uma tramóia contra o rei que assume o trono inglês, contestado por sua irmã e o bastardo real, e os Hamleigh vêem nisso uma oportunidade de vingar-se, e de cara subir ainda mais socialmente.

O núcleo do clero participa das maquinações do Trono, e apresenta seus próprios dilemas: centrado na figura do Irmão Phillip, homem honesto e realmente fiel aos seus princípios religiosos, é o prior (o chefe entre os irmãos monges) de um pequeno mosteiro na floresta, subordinado ao de Kingsbridge, onde havia transformado o lugar em um realmente funcional e produtivo; para ir para o mosteiro principal de Kingsbridge e lá acabar por se tornar também seu prior. Phillip é um excelente administrador, e lhe dói ver o estado de abandono e desleixo do priorado-mãe. Muito para o seu desgosto, acaba passando por um curso intensivo de realidade, sendo apresentado à política que pode haver não somente entre irmãos monges, mas do clero e nobreza, através da figura vilanesca do padre Waleran Bigod, que acaba fazendo a ponte com o núcleo da nobreza. Mas dado momento, surge a família de Tom Construtor no caminho, Tom e seus sonhos, que passam a ser também os de Phillip, e aí... bem, leiam o livro. Vale muito à pena.

Ken Follet muito me lembrou Frederick Forsythe, que li há pouco tempo, no sentido de ser um escritor que faz toneladas de pesquisa e não se furta a despejá-las no colo do leitor - sem ficar maçante. Boa escrita, imagino, passa por aí. Mas se quiserem saber como funcionava uma economia medieval; e, especialmente como se construía uma igreja, ou ainda, uma catedral medieval, imagino que estes livros poderiam constar de alguma bibliografia de curso de História da Arte ou de Arquitetura. Ao lado das capas acima, o blog Arquitetando Idéias dá ainda outras belas imagens sobre o assunto.

Uma adaptação para a televisão rolou em 2010 pela HBO, com o sempre ótimo Ian McShane no papel de Bigod (vilão, pra variar...). Estou assistindo. É interessante ter ambos os produtos à mão e conhecer duas variações da mesma história, ver como isto ou aquilo se apresenta, de acordo com o meio. Até agora, gostei muito das soluções da adaptação. Abaixo, a belíssima apresentação desta série. Enfim... confiram, é uma grande história.


496 p.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Dossiê Odessa, por Frederick Forsythe

Spoilers zone ahead.

Meu segundo Forsythe, antes deste, só havia lido a coletânea Sem Perdão, alguns anos atrás, e havia gostado. Conhecia o filme, com John "pai da Angelina Jolie, sim, é sério, juro" Voight, que assisti anos atrás e guardei uma boa impressão.

A Odessa, para quem nunca ouviu falar, é uma organização criminosa alemã que se dedicou a ajudar fugir criminosos nazistas da II Guerra Mundial. O submundo desta organização é apresentado, enquanto uma conspiração contra Israel é apresentada.

Frederick Forsythe, pelo que andei apurando, é conhecido por extensas pesquisas sobre o que vai escrever, hábito herdado, pelo que entendo, de sua profissão como repórter. Isto fica claro no livro, pois não a nega ao leitor: querem saber como armar uma bomba caseira e ligá-la a um carro, ou quais são as divisões principais do serviço secreto israelense, ou como se falsifica(va, a história se passa em 1963) passaportes na Alemanha do pós-guerra? Salvo certo floreamento, omissão ou despiste proposital de informações mais sensíveis, e eu espero que haja, leiam O Dossiê Odessa. Seja pela narrativa impessoal, ou pela boca dos personagens, este acúmulo de informações não chateia, de forma alguma, ou a inverossimilhança dos diálogos - monólogos quase, em alguns casos - não incomoda. Acho que uma marca de bom escritor passa, ou pode passar, por ai.

A história pode ser resumida como sendo a de uma vingança pessoal, que move um homem a sair de uma 'zona de conforto' para se envolver com o pior tipo de pessoas possível. No processo, vemos personagens imaginários (o próprio protagonista) e reais (o antagonista) interagindo numa ficção curiosa, onde podemos pensar se este ou aquele têm realmente uma personalidade crível como a apresentada.

Os personagens são apresentados de maneira rápida, às vezes com um certo tom de humor: Peter Miller, o herói, é um jornalista freelancer de sucesso, tipo bonitão, meio cafa, com seu jaguar inglês pra cima e pra baixo; sua mulher Sigi é uma belíssima stripper com o coração de ouro, e por ai vai: os personagens não precisam ser mais definidos além disso, pois o Dossiê Odessa (1972) é uma história de ação e aventura, ainda que uma boa parte seja consumida em investigação, e na movimentação da oposição, da qual o herói mal se apercebe.

A história aborda ainda, em um outro plano, a noção de culpa da população alemã, mesmo poucas décadas depois. É um pensamento complexo, mas que está lá, e merece a reflexão. A saída da 'zona de conforto' acima citada do personagem o traz por estas paragens.

Em suma, vale à pena a leitura.

O Dossiê Odessa (edição de 1976)
274 p.
Editora Record

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Mão Que Cria...

Abrindo o ano com um comentário sobre A Mão Que Cria, do meu prezadíssimo Dom Aragão. Lá no Blog de FC.

Ah, e Feliz Ano Novo para você.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil


Tudo errado. Tudo.

Li numa tacada suas cerca de 300 páginas agora à tarde. Divertido e direto ao ponto, o livro escrito pelo jornalista Leandro Narloch se utiliza de vasta bibliografia para dessacralizar certos tantos mitos nacionais, históricos e culturais. O capítulo sobre o Samba me pareceu primoroso. O sobre negros e índios, também.

Ao final da introdução, o aviso:

Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles curiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.

Tem razão. O capítulo sobre Dumont me pegou direitinho.

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. Editora Leya, 320 pp.

terça-feira, 29 de junho de 2010

1910 - O Primeiro Vôo do Brasil



Lançado pela editora Aleph, o livro fala sobre o primeiro avião construído e pilotado em solo sul-americano, em 1910. Como se espelhando Dumont, o aparelho foi feito por um francês, radicado no Brasil, depois que seu pai se mudou para cá. Mais detalhes no blog do Diário de um velho Helimodelista.

Tem lançamento hoje em São Paulo na Saraiva do Shopping Paiva Paulista e dia 1 na do Supershopping Osasco. Pra turma da terra da garoa, pode ser uma boa.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Editora Aleph pede sugestões

Moçada, esta editora está pedindo sugestões de livros que eles possam publicar. Vejam o site e dêem uma espiada. Eles fazem mais a linha de literatura fantástica.Quem tiver sugestões, esteja à vontade.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Novo livro de Max Mallman!

É com grande prazer que recebi a notícia de que temos mais um livro do meu prezadíssimo Max Mallman, O Centésimo em Roma, a ser publicado pela Rocco! Vai o blog aqui! Lançamento dia 15 de Abril, na Livraria da Travessa de Ipanema, aqui no Rio.

Sempre gostei do que li dele... tem duas impressões minhas sobre seus livros anteriores, Zigurate - uma fábula babélica e Síndrome de quimera, no site do e-nigma.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Lançamento do Godô!

Moçada, livro infantil desta minha queridíssima amiga de tantos anos, finalmente emplacando este que é mais um gol de letra: Godô dança, seu primeiro livro infantil, também com ilustrações da própria. Tomara que role no Rio também!

"O Godô dança será lançado

sábado, dia 12 de dezembro de 2009,

das 11h30 às 14h,

na Livraria Sobrado,

na Av. Moema, 493 – Moema – São Paulo – SP.

Vai ter contação de estória para os pequenos.

Espero vocês lá!"

Original aqui.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

AnaCrônicas - Pequenos Contos Mágicos

Devidamente nas Leituras de 2009, o primeiro livro de Ana Cristina Rodrigues - cujo blog está na coluna ao lado -, do qual falei um tempinho atrás. Estou devendo alguns comentários.

É uma coletãnea, 90 páginas de 20 contos curtos (mais um de bônus), que passeiam por vários gêneros da literatura fantástica: ficção-científica, fantasia histórica, fantasia histórica-pero-no-mucho, horror e esquisitices em geral.

Temos algumas Anas vislumbradas nessas Crônicas: a historiadora medieval está lá algumas tantas vezes, por exemplo, assim como a cronista (de crônicas cotidianas, mesmo), e singelamente, a mãe - isso tudo faz de histórias como A Dama de Shallot, A Casa do Escudo Azul, Os Olhos de Joana e meu preferido, O Mapa para a Terra das Fadas histórias muito especiais - ou pequenos contos mágicos, de fato.

Recomendo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Beco das Virtudes

Não deve ter demorado um ano, ou pouco mais do que isso. Espremidinho ali, em uma lojinha de uma galeria antiga aqui no Leblon. O primeiro sebo que me dava conta desde que a Dantes havia se mandado pro segundo andar do Odeon BR, na Cinelândia.

Passei meia-dúzia de vezes lá. Cada vez eu perdia horas que não tinha, entre livros de segunda mão e conversas deliciosas tarde afora com os donos, em que comentávamos autores, livros, e solucionávamos os problemas do Brasil até o cair da tardinha.

Fiz poucas e boas compras, entre elas, a coleção completa de literatura não-infantil de Monteiro Lobato. Era um lugar apertado, mal dava para duas pessoas, mas haviam conseguido deixá-lo aconchegante.

Chegando em casa dias atrás, encontro um dos donos por um acaso, que me contou que a livraria acabara Novembro passado. Morri de pena e, é claro, de arrependimento por não ter gasto mais horas que não tinha por lá.

Enfim, faz parte.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Coração das Trevas

Comprei O Coração das Trevas, em uma edição da Martin Claret, dez pratas na banca. Andava cismado com este livro desde que soube que ele entra na composição direta de King Kong e é a base para Apocalypse Now. Lendo o livro, muita coisa se explica das duas obras.

Escrito por Joseph Conrad, escritor polonês que se bandeou pra Inglaterra no Século XIX, da estirpe dos escritores-aventureiros, registrando com o talento da palavra suas experiências em locais exóticos e distantes -- ele própio um marinheiro mercante -- para a Europa de seu tempo, ávida por novidades.

É um livro de leitura densa, com excessiva - aos olhos deste ignorante, pelo menos - descrição de lugares e sensações, mas tão densa quanto a selva que o protagonista vai se embrenhando. Assim como em Apocalypse Now, há o mítico "homem que não está lá", mas que ao redor todas as admirações giram, de suas ações, pensamentos e feitos, o mítico Kurtz. Talvez seja o maior "macguffin" da literatura pelo menos até a estatueta de Relíquia Macabra/O Falcão Maltês: o tempo todo lemos sobre o quão geniais são as idéias de Kurtz, o tempo todo lemos sobre sua grandiosidade, que os nativos o veneram -- mas não temos a menor pista sobre quais exatamente elas sejam, ou como exatamente ele fez para ser tão adorado, independente da cor de pele.

Talvez o importante ali seja exatamente a viagem de Marlowe, o protagonista, e o quanto isto o transformou. Uma fonte de oposição permanente, com tons sombrios, quase consciente, tida como maléfica, é a selva pela qual todos viajam a bordo do vapor caindo aos pedaços até o entreposto de marfim gerenciado por Kurtz. Nem precisa de ataque de selvagens: basta a presença da densa selva ao redor, como se aguardando o momento oportuno de atacar, olhando feito diretamente para os invasores ali. E, apesar de tudo, eles continuam avançando.

"O Coração das Trevas" é um título que tem alguns níveis de interpretação possíveis: tanto da parte não aberta dos mapas, quanto da selva em si, quanto dos horrores que o colonialismo europeu impunha no continente africano. Conrad não faz nenhuma apologia aberta contra o sistema, mas não precisa. A passagem pelo primeiro entreposto comercial e o estado de alguns tantos escravos ali presentes pode dar alguns engulhos. Não creio que ele precisasse ter exagerado de alguma maneira.

A edição da Martin Claret ainda traz, ao final, resumo e análises das partes do livro. É bem interessante. Destaco o comentário sobre o conservadorismo político de Conrad não impedir que seus personagens sejam, do que fala o livro, outsiders no geral. Um paradoxo bem-vindo, creio.

Cheguei a comprar Nostromo, um romance dele. Vamos ver como se sai.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

E falando em Monteiro Lobato...

... dez motivos porque eu acho ele foda.

* Não só escrevia, mas ilustrava. Por ele, teria feito Belas-Artes. O avô é que cismou com Direito.

* Cruzou referências literárias, históricas, mitológicas e de cultura pop, independente da origem nacional em suas histórias.

* De tanto que encheu a paciência do Getúlio com cartas não muito bem educadas, foi preso por defender a existência de petróleo no subsolo brasileiro.

* Mandou cartas não muito bem educadas a um ditador.

* "O Petróleo é Nosso": Organizou companhias de perfuração de petróleo.

* "Um País se Faz com Homens e Livros": Fundou duas ou três editoras, trouxe pela primeira vez clássicos estrangeiros da literatura infanto-juvenil para o Brasil, traduzidos por ele próprio.

* Lygia Bojunga Nunes devorava seus livros a partir dos sete anos, fundamental para que ela própria se tornasse uma escritora de livros infantis.

* A menina estudava piano, compenetrada, de postura correta, o nariz sempre empinado, e é observada por Lobato, seu vizinho de frente, que por isto cria a Menina do Nariz Arrebitado. E a jovem estudante é Guiomar Novaes.

* Fez um desenho animado (tá, essa eu sou suspeito).

* Escreveu Ficção-Científica (tá, essa eu sou suspeito - 2).

Desculpem minha ignorância, gente... mas Modernistas pra quê?

X Salão do Livro Infantil

No MAM do Rio de Janeiro. Foi até ontem. É, eu sei, não ajuda muito.

Não ia comprar nada, mas mega-descontos de até 60% me fizeram mudar de idéia, e com os vôos rasos da cegonha ultimamente, comprei até pra mim (non-cegonha-wise).

Eu tenho um certo fascínio pelo livro infantil. Não tinha tantos 35 anos atrás, ou ao menos não tão bonitos, e eu procurei então. Ricamente ilustrados é dizer pouco.

Noto o quão difícil é terminar um livro infantil. Se terminar um adulto às vezes é sacal - apesar daquela moleza instituída pelo Umberto Eco n'A Obra Aberta', em que as histórias nunca de fato terminam, blá-blá-blá -, que dirá uma história mais simples, mais direta ao ponto, até pela necessidade de seu público? Sempre li que havia pelo menos duas sub-artes localizadas dentro da arte da escrita, a de escolher um título e a de terminar uma história.



Isso ai acima foi o que eu comprei pra mim. Nem sabia que existia. Lusíadas 2500, o clássico de Camões transposto para uma HQ o mais Ficção-Científica possível (moça, não surte, por favor), porém mantendo o texto original. Ainda estou a ler.

Comprei no estande da IBPE/Companhia Editora Nacional, esta uma das editoras que Monteiro Lobato criou. Lá, inclusive, havia os clássicos d'O Sítio do Pica-Pau Amarelo', assim como as traduções pelo próprio Lobato de clássicos estrangeiros, tais como 'Mowgli' ou 'Alice no País das Maravilhas', que por ele foram publicados pela primeira vez no Brasil. Monteiro Lobato rocks.

Ainda vi Lygia Bojunga Nunes em outro estande, autografando seus livros. Adorava quando criança. 'A Casa da Madrinha', 'Os Amigos', 'A Bolsa Amarela'. Não resisti e fui falar com ela, esquecendo por alguns momentos que eu tenho quase quarenta. Simpaticíssima, agradeceu minhas palavras. Vinte anos antes, fui falar com Zilka Salaberry, a eterna Dona Benta de minha geração, em uma sensação semelhante.

Foi divertido, enfim.

Farda, Fardão, Camisola de Dormir...

Sábado último o Segundo Caderno d'O Globo traz uma matéria curiosa, sobre uma biografia - O Mago - do Paulo Coelho e como um de seus primeiros livros, Manual Prático do Vampirismo, haveria sido feito por um ghost writer. E como a ABL, de olho no retorno financeiro que um nome como ele em suas fileiras, resolveu o escolher.

Que a Academia Brasileira de Letras é um eterno nome errado, eu já sabia: foi montada nos moldes do Petit Trianon francês, sendo mais um clube de notáveis da república do que de escritores, propriamente ditos. Chá e poir, queriam acolher Ulysses Guimarães tendo como base seus discursos. Escolheram José Sarney ao invés de Mario Quintana, que já havia tomado duas bolas pretas antes desta. Enough said.

O livro de Jorge Amado, no título acima, é uma boa dica sobre como se escolhe um 'imortal'. Acho que é hora de relê-lo.