quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Incrível Hulk

Spoilers, tá, gente?

Uma lição que nós temos desse filme é que é os Super-Heróis podem ser das propriedades intelectuais mais difíceis de se ter um trabalho (por demais) autoral, especialmente se falamos em cinema: ele são por demais prisioneiros do gosto popular e da cultura pop.

É só comparar com o Hulk de Ang Lee, que apesar de alguns momentos interessantes, teve coisas absurdamente desnecessárias além um roteiro sobrecarregado de dramas, não obstante Eric Bana e a estonteante Jennifer Connely como Betty Ross. Ou lembrar dos filmes de Batman do Tim Burton, que publicamente dizia nunca ter lido nada nos quadrinhos do personagem (e que só parecem que são bons hoje porque logo em seguida vieram os filmes do personagem dirigidos pelo Joel Schumacker, para realmente se saber o quão ainda podia se piorar).

O Incrível Hulk é mais um filme produzido pela própria Marvel, ao invés de outros estúdios, e é um filme bem mais ao gosto do fã, com bastante ação e direto ao ponto, porém mantendo a carga dramática do personagem.

Ignorando o filme de 2003, este filme começa, entretanto, onde o outro teoricamente pararia, com Banner longe de tudo e de todos, tentando encontrar uma cura, ao mesmo tempo que tenta se esconder, após sua terrível origem -- contada em retrospecto em flashes pelos créditos de abertura, uma maneira ágil e bem sacada de não ter que repetir tudo que um outro filme recente, bem ou mal, já apresentou.

Mas também não é a mesma origem do outro ou a clássica dos quadrinhos, mas, surpresa: tem muito a ver com a antiga série dos anos 80 (e aqui também temos outra participação de Lou Ferrigno), com um experimento em laboratório mal-sucedido (aparelhagem bem similar à cadeira de raios-gama). A vida itinerante de Banner é explorada, e em dado momento até aquela música triste ao piano, no final de cada episódio, é tocada - ei, tem Jack McGee no filme! Um Jack McGee, pelo menos.

As referências nos quadrinhos dão a mão à linha Ultimate, como foi com o excelente filme do Homem de Ferro, e o elo entre os filmes continua sendo construído: dessa vez é o próprio Tony Stark - sim, por Downey Jr. - que vem falar de um grupo sendo montado ao final do filme (mas não dos créditos) ao General Ross (pelo sempre ótimo William Hurt).

Falando em elenco, todos estão muito bons: o citado Hurt; Edward Norton, versátil como sempre; o ótimo Tim Roth como o Abominação e, bem, pena que Jennifer Connely tenha sido cartucho queimado no outro filme. A princesa elfa que me desculpe, mas os olhos-gama de La Connely são insuperáveis.

Além da presença de Stark, a semente está lá para futuros filmes, na promessa do surgimento de um clássico vilão do Hulk.

É, de fato, uma boa época para os filmes da Marvel, e de Super-Heróis em geral. Sugerindo que O Homem de Ferro tenha nota 10, este filme é nota 8, mole.

Nos trailers, o do novo Batman, uma refilmagem em 3D de 'Viagem ao Centro da Terra' (galera da labirintite, cuidado: vertiginooooso...), um teaser de Kung Fu Panda e o meu próximo filme esperado, a comédia de Super-Heróis Hancock.

2 comentários:

Roney disse...

Gostei bem mais deste Hulk do que do primeiro.

Apesar de ter mais ação do que o outro achei que o material dramático é menos clichê e mais útil.

Gostei da entrega da Betty quando eles estão tentando curá-lo e ela salta sobre ele. Gostei da forma como o general é retratado como um fracassado e o abominável um psicopata em uma crítica direta (pode ser viagem minha) à sanha guerreira dos últimos governos dos EUA.

Mas acho que o que mais me pegou mesmo no filme foi a pureza de sentimentos que une o Bruce e a Betty, parece amor de elfo! ;) E acho que estamos precisando destes amores mais inocentes...

Ah!!! Ótima a cena de sexo!!!

Tem coisas que podem revoltar alguns como "Procurem um homem branco na fábrica"!! Hahaha!! Como se não huvessem brancos no Brasil! ;)

Luiz Felipe Vasques disse...

No Brasil, decerto. Mas naquela fábrica, nesta favela, é negociável. No mais, muitos ditos brancos aqui no Brasil poderiam ser chamados de 'persians' em certas latitudes. ;-)

E jurava que a legenda havia dito 'gringo', ou algo assim.