terça-feira, 8 de abril de 2008

Indenizações da ditadura.

Historinha rápida.

Uma senhora de idade, não bem de saúde, condições financeiras que podiam estar melhores (uma combinação sempre perigosa) recusou-se a aceitar a polpuda indenização que o governo oferece agora pelos males da ditadura, uma vez que seu filho morreu - se bem lembro - no Araguaia.

Segundo ela, no dia em que seu filho, décadas atrás, saiu de casa para entrar para a guerrilha, ele estava indo para a guerra. Na guerra, pessoas matam e morrem. Faz parte do processo, é da responsabilidade de quem participa aceitar isto. Aceitar uma indenização, segundo ela, seria uma forma de menosprezar toda a luta de seu filho, sua vida e o que sua morte significou.

É.

Um comentário:

Carolina Vigna-Marú disse...

Cora Ronai falou bem:

A gente pensava que era luta;
não é que, para eles, virou investimento?
Fiquei muito aliviada ao saber que Jaguar e Ziraldo ainda podem recorrer da decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que lhes deu, respectivamente, R$1.027.383,29 e R$1.253.000,24, mais pensão mensal de R$ 4.375,88.

Devem pedir mais, muito mais.

Cada um vende a alma pelo que entende, mas eu, pessoalmente, acho que ganharam pouco para jogar no lixo duas biografias até aqui tão bacanas.