terça-feira, 4 de maio de 2010

Moça com Brinco de Pérola

Moça com Brinco de Pérola: a assim-chamada Mona Lisa holandesa.

Moça com Brinco de Pérola é um quadro de cerca de 1665, pintado pelo holandês Johannes Vermeer (1632-1675). Não fez muito dinheiro, nem tanta fama quando vivo, deixando a família endividada após sua morte. Seus quadros foram apreciados somente mais tarde, e sua técnica e composição reconhecidas como as de um verdadeiro mestre da pintura. O apelido de Mona Lisa holandesa se deve à expressão não exatamente clara, em suas emoções, que pode ser vista no quadro.

Em 1999, a autora Tracy Chevalier, especializada em romances históricos, escreveu um livro sobre o autor e o quadro, explorando questões sem resposta sobre quem seria a modelo, por exemplo, e sua relação com o pintor.

Em 2003, o romance virou filme, dirigido por Peter Webber, com Collin Flirth e Scarlett Johansson. Conhecia de ouvir falar, não tinha visto até ontem de madrugada. Foi uma surpresa completa.

O filme leva, visualmente, a padronagem de cores e luzes típica das obras de Vermeer. É daqueles casos que parece que o diretor de arte ou de fotografia tomas as rédeas da direção. Em geral, isso torna filmes chatos e longos. Neste filme, entretanto, apesar de cada cena parecer ser um estudo de Arte, tudo é calculado e proposital. Não é um filme de ação, não é um filme de palavras: mas de luz, sombra, cor e sentimentos.

A modelo real do quadro é uma figura anônima. Entra Griet, moça humilde que, para ajudar nas finanças de sua casa, depois que o pai é acometido por cegueira, torna-se empregada em uma família de certas posses. É a família de Vermeer, com esposa, vários filhos, e uma sogra dominante, viúva, que toma conta das finanças da casa. Vermeer é apresentado como sendo ausente, absorto por sua arte. Nada mais lhe parece interessar muito. Há uma tensão no ar, especialmente em se tratando de questões financeiras. Griet apenas é mais uma empregada na casa, tenta não se envolver em nada, parece que não respira na maioria das vezes, temendo em importunar, ou, como sempre ocorre, ser repreendida.

Aos poucos, surge uma relação com Vermeer, tornando-se sua assistente, e demonstrando interesse e compreensão sobre todo aquele mundo em que o pintor vivia, sozinho até então. Cabe notar que são dois personagens que quase não falam, se comparados aos ao redor, salvo quando entre si - e ainda assim, não muito parece ser requerido.

A história corre para longe do estereótipo, onde esse tipo de comunicação e diálogo leva a romances físicos. Não, é de sutil sensualidade. É uma relação em segredo, como uma traição: o aprendizado da moça é mantido em segredo, para não antagonizar a esposa. A nudez de Griet está em seus cabelos. E o auge de tudo é a pintura do referido quadro, em que o brinco de pérola é dado a ela, como detalhe final para a confecção da pintura, com ela já posando - a cena dele furando sua orelha, que nunca havia feito, é particularmente significativa. E o brinco é da esposa, que de nada sabe... e com a sogra encobrindo.

Agora, dêem uma boa olhada nesta foto de Scarlett Johannson:

Hellooo you guys!

Timidez não é o caso, correto? Pois é. Olhem agora.

Girl can act.

Michael Caine disse, em entrevista, que o que difere o "astro" do grande ator é que o primeiro amolda o personagem à sua imagem, enquanto que o segundo faz o contrário: amolda sua imagem ao personagem. Johannson já havia feito uma "girl next door" sem nenhum problema em Lost in Translation (também em 2003, Sofia Coppola) em um papel que, por motivos diferentes porém legítimos dos de "Moça...", angaria simpatias do público. Em 2004 ela chegou a ser indicada para Melhor Atriz pelo Globo de Ouro, e não ter ganhado foi simplesmente uma injustiça - para não dizer concorrer aos Oscar de Direção de Arte - Cenário, Cinematografia e Costume Design, todos devidamente arrebatados pelo furacão de O Senhor dos Anéis quando não O Mestre dos Mares).

Atualmente podemos vê-la em filmes que não dependam tanto de sua capacidade artística quanto de seus dotes - wink, wink. Enfim, é a máquina.

Johannson: o trabalho impressiona.

Fica, então, o resultado de se ver talento em um dito filme extremamente artístico. Uma experiência enriquecedora. Altamente recomendado.

3 comentários:

Carolina Vigna-Marú disse...

eu sabia. eu SABIA que vc ia gostar. cara, eu AMO esse filme. é o *meu* Madagascar. ;)

Daniel disse...

Excelente! Não conhecia e agora vou procurar. Sempre gostei da atuação de Ms. Johanson e seu comentário só reforça essa impressão.

Daniel "Gargula" Braga disse...

Sigo no coro e vou ver também!