terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Otimismo Desvairado

Em valiosa dica dada no comment abaixo, puxo pra cá o link para o blog de Marco Fonseca, que me referi da tal eleição do cybervereador.

De cara, o mais recente artigo, no momento em que gero este post, é um recado contra otimismo desvairado, para os eleitores de Gabeira que, como eu, acreditam que metade da cidade é burra.

O recado foi dado, sem dúvida. Há ainda que se considerar que não é "mais uma opinião", mas alguém que viveu ali pertinho de como a outra máquina funciona.

Mas devo dizer que eu continuo um mau perdedor.

20 comentários:

Daniel "Gárgula" Braga disse...

Eu discordo bastante dele. O Gabeira não lutou por uma bandeira de ser o único ético. Ele agiu com ética. Tem uma diferença enorme nisto!

Quem levantou a bandeira do "eu sou a ética" foi o PT e vimos no que deu!

Acho que a crítica ficou bastante deturpada da realidade!

Opinião minha!

Carolina Vigna-Marú disse...

Daniel e Felipe,
Eu não concordo com este artigo do Marco Fonseca mas acho que tem um ponto importante de reflexão, o de que o partidarismo é, na verdade, essencial para o "jogo político". Tenho um desagrado profundo com esta época em que vivemos a personificação da política - votamos em fulano e não na ideologia tal. Lealdade partidária, cadê? Por mim, o cara mudou 2 vezes de partido e vai pra geladeira, sem poder se candidatar, por pelo menos 10 anos. O PV, por exemplo, faz tempo é uma legenda de aluguel. O Gabeira também tem tempo que namora com uma direita suja e questionável (não estou dizendo que toda direita é suja e questionável, prestem atenção).

Acho que o Marco fala coisas que são bastante parciais mas acho que ele toca em pontos importantes. O da histeria coletiva, por exemplo.

Gabeira não é o salvador.

Aliás, nem o Obama: http://www.vignamaru.com.br/2008/11/05/obama-2/

Beijinhos
Carol

Luiz Felipe Vasques disse...

Boas palavras, Carol. De fato, qualquer um aceitamos - aceitamos? - para a vaga do heroísmo.

Estou vendo a moça do canal de notícias, se houvesse uma camisa estampada "Eu Ovulo por Obama" ela vestiria. É o otimismo desvairado.

Apenas para uma questão prática (e não da mentalidade), não nos esqueçamos que "o nosso Obama" (nas palavras da jornalista) já soltou que é contra o plantio de cana-de açúcar para álcool combustível, por causa da Amazônia.

Já McCain defendia que era a maneira certa de se conseguir isto, uma vez que, para a mesma produção de combustível, a cana precisa de bem menos terreno para atingir o mesmo objetivo que o álcool que vem do milho -- e a turma do milho nos EUA é a turma de McCain.

Apesar disso, eu ainda acho interessante que ele venha em um comício e diga que não é nem negro, nem branco, "I am brown", como ele disse. É um país de lógica binária, estúpida, quanto à questão de cor de pele. O mestiço não é entendido por brancos ou por negros, igualmente. A barreira quebrada não é a do negro na Casa Branca, mas a de um mestiço de nome "impronunciável".

(Nós aqui no Brasil já aceitamos melhor o mestiço. Aparentemente o Movimento Negro importou essa mentalidade e tem idéias contrárias, mas isso é pra outro rant)

Mas apenas lembrando que a barreira de um homem de origem humilde, trabalhadora, semi-analfabeto - Modernismo puro! - nos deu o que dá. Otimismo desvairado...

Luiz Felipe Vasques disse...

> e a turma do milho nos EUA é a turma de McCain.

É de Obama, desculpe.

Carolina Vigna-Marú disse...

Não só o milho é de Obama, mas...

"Mas apenas lembrando que a barreira de um homem de origem humilde, trabalhadora, semi-analfabeto - Modernismo puro! - nos deu o que dá. Otimismo desvairado..."

Obama não é de origem humilde, semi-analfabeto (trabalhador talvez, não faço idéia). O sujeito é formado em Harvard.

fonte, wikipedia: "Graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade Columbia em Nova Iorque, para depois cursar Direito na Universidade de Harvard, graduando-se em 1991. Foi o primeiro afro-americano a ser presidente da Harvard Law Review."


mas sim... isso quer dizer tanto quanto o origem humilde, etc. O caráter e a ética vem de outro tipo de educação, a dos pais. Não é algo que se aprende em escola, independente de quão chique ou quão humilde. Caráter não tem relação com classe social, nem pra menos, nem pra mais.

Saudades suas, viu?

Beijos

Barone disse...

Discordo do artigo quando diz que o Gabeira personificou a bandeira da ética.

Sobre partidos, são importantes apenas para o fortalecimento da democracia representativa. Mesmo aí - a história está mostrando - desvirtuam o verdadeiro sentido da representatividade substituindo-o por uma desenfreada luta pelo poder.

Não acredito em partidos políticos.

Creio que é preciso fortalecer a consciência individual de que nós (a população) podemos sim gerir parte da coisa pública. Basra organização e vontade.

Luiz Felipe Vasques disse...

> "Mas apenas lembrando que a barreira de um homem de origem humilde, trabalhadora, semi-analfabeto - Modernismo puro! - nos deu o que dá. Otimismo desvairado..."

Eu me referia ao Lula.

E sim, muitas saudades suas tb. :-*

Luiz Felipe Vasques disse...

> Creio que é preciso fortalecer a consciência individual de que nós (a população) podemos sim gerir parte da coisa pública. Basra organização e vontade.

Barone, perfeito. Mas ai o lance é como fazê-lo. Eu acredito que é na escola que tb se pode aprender sobre isto.

Carolina Vigna-Marú disse...

Já eu, Barone, acho bom ter legendas sólidas que querem dizer alguma coisa.

Eu quero saber, de cara, qual a posição de qualquer candidato, velho ou novo, conhecido ou não, pelo simples fato dele ser de A ou B partido. Eu espero - tolinha, eu - encontrar comunistas no PC do B. Espero encontrar socialistas no PSDB. Espero encontrar ecologistas no PV.

Eu sei. Tem horas que até eu me acho engraçada e ridícula.

:/


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Felipe, ah é... Tinha esquecido do Lula. :D

Carolina Vigna-Marú disse...

Em tempo:

http://www.vignamaru.com.br/2008/11/06/outra-coisa-obama/

Bjinhos

Carolina Vigna-Marú disse...

desculpe, resolvi juntar tudo no post anterior. http://www.vignamaru.com.br/2008/11/05/obama-2/

(coloquei um adendo)

bjs

Barone disse...

Carolina, você razão em desejar partidos fortes. Se a alternativa for à democracia representativa melhor tê-los. Ocorre que não os temos e dificilmente os teremos. Vivemos uma crise sem precedentes do pensamento político. Não sou dos que dizem que a história chegou ao fim, ou que não há mais ideologia, mas que ela está adormecida enquanto fator de relevância no desenvolvimento político-social no Brasil, está. Portanto, na prática, mesmo vivendo em um mundo onde a democracia representativa é apontada como panacéia, podemos, sim, fortalecer os mecanismos de democracia direta (que, necessariamente e por conceito – caso queiram, de fato, funcionar, passam ao largo dos partidos políticos) como associações de bairro, Ongs etc.

Luiz Felipe Vasques disse...

Baroni, mas ai temos que pensar na regulamentação disto tudo. Há muito sendo diluído entre aquilo que é proposto em entidades civis até chegar na prática da lei, digamos.

A questão das ONGs é algo a se abrir o olho. Elas apareceram na época da Eco 92 e, por algum motivo, acreditou-se nelas como sendo puras e de boa fé assim, de mão beijada.

Um amigo meu trabalha em uma, de inclusão digital, junto a uma favela da zona sul do Rio. A ordem é deixar passar, para garantir o custeio do próximo ano. Ele mal pode esperar para acabar o contrato agora, Janeiro.

Luiz Felipe Vasques disse...

Pô, Carol, não dá pra comentar lá, vc não me deixa escolha. :)

> Adendo: o povo norte-americano optou, novamente, entre uma mulher e um negro. A mulher, Palin, vice do McCain, corria o risco de se tornar presidente caso o velho batesse as botas. O machismo imperando, como sempre.
(trecho retirado do link providenciado por de Carolina Vigna-Maru, em seu blog pessoal)

Não é bem por ai, Carol. Se houve machismo, foi quando o pré-candidato escolhido Democrata foi o afroeurodescendente, e não a mulher. Isso, se tiver sido por ai: Obama é de uma simpatia perigosíssima, Hillary, não, e McCain por si muito provavelmente se garantiria.

Não acho que haveria uma expectativa negativa de se ter uma mulher na Casa Branca por causa da Sarah Pallin, acho que havia uma expectativa negativa de se ter a Sarah Pallin na Casa Branca. :) O próprio PRep. admite que aquela mulher - amiga da turma do petróleo (como Bush), xiita cristã (idem), extrema direita (idem), militarista (idem), sem preparo nenhum em questões internacionais (idem) - foi o maior tiro no pé ca campanha de McCain (que, aliás, só elogiava o Próalcool).

Hillary só não foi vice de Obama por que ela não conseguiu engolir não ter sido escolhida. Não havia mais ninguém expressiva entre os Democratas, os Republicanos resolveram matar dois coelhos com uma caixa d´água somente: por um rosto feminino na campanha (isso não seria na verdade um machismo em si, travestido de "direitos iguais" aos gêneros?) e convencer a turma mais redneck entre o eleitorado Republicano, que nunca se identificou com John McCain. Mataram a própria campanha.

Carolina Vigna-Marú disse...

querido,
(eu estava tendo problemas com trolls e tirei os comentários, desculpe)

não é verdade. A Hillary inclusive chegou a dar uma declaração de que, se fosse convidada, aceitaria ser vice do Obama. ela não foi convidada para não enfrentar o machismo enraizado norte-americano. Pode pesquisar nos arquivos da BBC online (minha fonte principal para notícias internacionais) que você vai ver váááááárias matérias falando da hillary só esperando o convite. Vc está enganado neste ponto, neste eu tenho certeza absoluta.

sobre a palin, bom, a palin realmente foi uma escolha infeliz. eu ainda acho que o machismo teve um elemento fundamental na decisão. aquele povo tacanho prefere botar um jumento no poder a "obedecer" a uma mulher.

a escolha de botar uma mulher como vice do mccain foi para tentar arrepanhar as eleitoras perdidas de hillary, simples assim. e quase conseguiu, na verdade. A margem entre um e outro - pasme - diminuiu com a entrada da palin. pode pesquisar, juro prucê. escolheram mal, mas foi uma escolha de segundo lugar mesmo e quase levam.

quando o mccain estava subindo, o que fizeram os simpatizantes de obama (leia-se o ny times)? colocaram uma charge na primeira página do mccain vencendo e no quadro seguinte virando "anjinho" e a palin subindo no palanque. Na semana seguinte o mccain tinha descido algo em torno de 8 pontos (não lembro o número exato, desculpe, mas era um pouco abaixo de 10). Jogada de mestre.

E o Obama não é simpático, ele é pastor batista. Usa os mesmos métodos das missas batistas em seus discursos, pode comparar. Isso, em uma população quase que toda batista, faz sucesso. É técnica, é estudado, é métrica. Não é carisma.

Carolina Vigna-Marú disse...

Barone,
Eu tenho horror a ongs. Acho que 1 - é aceitar para si uma responsabilidade que é do Estado, 2 - exercer um papel necessariamente localizado e pouco abrangente (por mais abrangente que seja, sim, é um paradoxo), 3 - é assumir que entidades/pessoas sem fé pública podem gerir questões públicas, tais como saúde e educação. Horror, horror.
Fiquei pensando em como escrever isso melhorzinho mas não saiu, sorry.
:/

Barone disse...

Carol, então estamos mesmo em lados opostos, filosoficamente falando... ;)

1- Não se trata de “aceitar” responsabilidade do Estado. A responsabilidade sobre as coisas que dizem respeito a nós mesmos “é” nossa e não do Estado. Este pensamento – que coloca a incorporação de responsabilidades pelo homem comum como uma opção e não como obrigação - é o que leva ao "voto alzheimer" - aquele que a gente executa e esquece depois.

2- Não há alternativa além do "agir localmente", além dele só o que resta são decisões de cima para baixo, típico do stalinismo da Jandira (que você admira e eu tenho ojeriza). Pensamentos antagônicos os nossos.

3 - Para ter fé pública é preciso ser político, ter mandato do estado, ser um mandatário? Um cidadão não tem fé pública diante de suas convicções éticas e exemplo?

Beijocas.

Luiz Felipe Vasques disse...

Sobre Obama e a mudança, Carol, no fnal das contas, é mais do mesmo, é a mesma máfia. A Bolsa já sabe disso e continua em sua queda, muito bem, obrigado.

Mas ainda gostaria de ter esse otimismo que mostra, especialmente em um país como os EUA, que as gerações mais novas, ao depararem-se e crescerem com um não-WASP na Casa Branca, poderão ser um pouquinho melhores que seus pais ou avôs. Bem ou mal, para a lógica binária, é um negro no comando. Em um país que mal 40 anos atrás os segregava feio. É um símbolo, bem ou mal, que aponta na direção da tolerância.

Carolina Vigna-Marú disse...

Barone,

Estou saindo de viagem e só volto online no dia 17 e, por este motivo, vou me ausentar do debate.

Sim, estamos em lados opostos filosoficamente falando. Será um prazer (adoooro debates com pessoas inteligentes, não perco meu tempo com as antas) voltar a este assunto contigo e com o Felipe no futuro mas no momento, por outros motivos, preciso interromper nosso papo.

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Felipe querido,

Estou indo lá pro Sul, vou ver Nanda & cia e só volto dia 17 pra SP e para perto de um computador.

Se tiver alguma urgência em falar comigo, estarei de celular o tempo todo (mas longe de computadores e o meu celular não se conecta à internet).

É uma pena - mesmo - o papo estava começando a ficar bom.

(se toparem, voltamos ao assunto no dia 17!)

Mil beijos a todos,
Carol

Luiz Felipe Vasques disse...

Carol, o debate continua se nossos prezados assim quiserem, e vc sempre estará convidada a dele participar. Boa estadia no Sul!