quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eu Amo o Butantã

É o nome do site para amparo à instituição científica, que sofreu um incêndio 15 de Maio, sábado último, e precisa de toda a ajuda possível. Boa parte da sua coleção de espécimes preservados se foi. O Butantã é uma instituição científica reconhecida como referência internacional em seu campo - o que não impede de estar caindo aos pedaços, como tantas outras, carecendo eternamente de verbas para tudo. O Butantã não foi parcialmente destruído, ele morreu, junto com parte da ciência deste país.

Não bastasse, não vi, pelo menos, um único político, dos que se dizem sérios aos oportunistas, lamentando a perda - desde que a fábrica de soro e vacina esteja intacta, como felizmente está, pra que se importar com bichos mortos, não é mesmo?

Não ajuda em nada as temerosas declarações do Dr. Isaías Raw, ex-presidente da Fundação Butantã, de que não se perde tanto assim: o importante é o sequenciamente genético dos espécimes. Bem, quem é do campo me assegura que isso é meio estúpido, uma vez que os estudos de morfologia dependem inteiramente de coleções assim. Até que se tenha um botão onde, apertando, surja um holograma baseado em dado código genético, ai sim uma coleção de espécimes será algo datado. Mas... isso não acontece hoje em dia, ceeeerto?

Fora o quadro maior: perde o Dr. Raw a oportunidade de ouro do silêncio, ao de, alguma forma, minimizar o incêndio em uma instituição científica brasileira. Ainda ouço o comentário, se bobear é apenas o primeiro, face ao desmazelo destas mesmas instituições.

Tudo errado, enfim. Tudo. Mas ai está o site, de qualquer forma.

UPDATE 3 de Junho: um depoimento de um de seus pesquisadores.

sábado, 22 de maio de 2010

Downey Downey

Robert Downey Jr.: heróis com mais ou menos cavanhaque, o importante é se divertir!

Assisti, no intervalo de seis dias, Sherlock Holmes e Homem de Ferro 2. Sensacionais, sensacionais. Robert Downey Jr. deve estar se divertindo horrores. Meu medo é que seja só isto, vindo dele, daqui por diante: encarar o narcisista insuportável cheio de tiques e que todo mundo, forçosamente ou não, adora. Não há tantas diferenças assim entre seus Sherlock Holmes e Tony Stark - sendo franquias em desenvolvimento, com continuações previstas.

Ambos os personagens têm problemas com algum vício (Stark, ao menos nos quadrinhos). Ambos foram criados sendo gênios em seus campos, e, embora Holmes aqui tenda a ser um grande recluso com problemas de se relacionar com pessoas, Stark simplesmente ama a atenção; ambos têm um ego à altura do talento. Falam rápido, atropelam outras falas, ou a si mesmo, vão do maior personagem que domina a cena para alguém que você tem pena em segundos, daí para um cretino completo, e de novo.

Typecasting: não é diferente de atores de grande talento como Al Pacino, que parece que só fala dando bronca, ou Robert De Niro, idem, mafioso canastrão. A máquina devora.

Tirando isso, ambos os filmes são imperdíveis: Sherlock Holmes reinventa um pouco o universo de Doyle, e entendo que alguns tantos puristas reclamaram. Não poderia dizer, li poucos livros de Sherlock Holmes e há muito tempo, e a imagem que eu tenho - e decerto muita gente, inclusive os puristas - do detetive é a de Basil Rathbone interpretando-o em 14 filmes em preto e branco, com o Dr. Watson sendo um simpático velhinho. Rathbone era a dignidade à toda prova, a calma intelectual certamente apropriada para o Maior Detetive do Mundo - um inglês, claro, em plena época vitoriana, na Inglaterra industrial e científica - poder resolver seus casos intrincados. Corre-corres e explosões são ungentlemanish, se é que essa palavra existe.

"When you become the character you portray, it's the end of your career as an actor."
Basil Rathbone, o eterno Sherlock Holmes.

E ai vem Guy Ritchie.

Falando no que, aliás. Filmes totalmente anti-fidalguia inglesa, como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch - Porcos e Diamantes, mostram uma Londres que nada tem para turista ver, uma Londres de marginais, mafiosos violentos, pequenos golpistas, ciganos, contrabandistas, mercenários russos, todos com sotaques e excentricidades - há tiradas inesquecíveis - de modo geral. Apesar destes dois filmes seguirem uma mesma fórmula - na minha opinião, consagrada em Snatch - eles são divertidíssimos, com diversas linhas de narrativa correndo em paralelo até um fim em comum, em que os protagonistas - caso sobrevivam - não têm bem certeza do que diabos acontece. Filmes para se ter na coleção. Um casamento que parece que enterrou sua carreira depois, ele tenta ressurgir com Revolver, que segue a mesma linha, mas sendo um drama, e não a comédia de antes, e depois Rocknrolla, que parece que é ele imitando a si mesmo. Divertidinho, mas sem o brilho dos dois primeiros filmes.

- Why do they call him Bullet-Dodger?
- Elementary, my dear Watson. Because he dodges bullets.

Quando eu soube que ele iria dirigir o próximo filme de Sherlock Holmes, titubeei, exatamente pela imagem rathbonesca na cuca. Mas, que diabos, vamos ver, eu reservo meus purismos para outras catástrofes. E achei resultado foi excelente: é a Londres de Ritchie, ainda que verde, digital e vitoriana. Os capangas excêntricos estão lá, assim como as cenas de luta, violentas e sujas, agora com o auxílio de modernas câmeras digitais. O humor rápido, cínico e ácido também.

Em pé de igualdade de Downey está Jude Law, elevando o Dr. Watson a um pé de igualdade. Eu não pude deixar de lembrar da série House, em que o protagonista - inspirado parcialmente em Holmes, aliás - tem também um talentoso porém humanamente limitado amigo/sidekick, o dr. Wilson. Entretanto, Law inventa um Watson o qual "sidekick é o cacete" e que não leva desaforo pra casa, embora a relação conflituosa aqui lembre muito a dos personagens desta série. O resto do elenco não faz feio, mas também não se destaca particularmente: Rachel McAdams fazendo uma Irene Adler mais voluntariosa e Mark Strong sendo um vilão cujo aspecto lembra muito o Drácula de Bela Lugosi, com uma gola alta do capote fazendo a capa do velho Conde, e os cabelos puxados pra trás - hum... e que volta dos mortos. :)

A conclusão da história, já com tudo engatilhado para uma sequência, mais do que mera sugestão, encerra muito bem. Fãs de Sherlock Holmes ou casuais interessados, assistam.

***

Yes, we did!

Em Homem de Ferro 2, temos uma sequência muito boa, porém eu ainda acabo preferindo o primeiro. Em inglês, esta crítica aqui levanta questões apresentadas que foram mais contadas do que demonstradas (o que os americanos chamam de "show, don't tell"), e por que isto enfraquece o filme. Achei uma crítica interessante, vale à pena ler.

Mickey Rourke e Sam Rockwell jogando pelos inimigos estão ótimos, mas Gwyneth Paltrow me pareceu sobrando, especialmente com a aquisição da dona moça ai de baixo, no papel de Natasha Romanoff, a Viúva Negra, personagem da Marvel, originalmente espiã desertora soviética e, é claro, Action Girl residente. A "Pepper" de Paltrow se resume à mocinha indefesa que, por mais que seja parte muito importante do drama de Tony Stark em não ser Tony Stark, coisa que ele aliás ama mais do que a própria vida... ela ainda precisa ser resgatada.

Helloooo, you again!

Os narcisistas irrecuperáveis - todos eles - de Robert Downey Jr. nos dão ótimas horas de entretenimento de primeira linha, ótima diversão, para fãs e casuais. Novamente, espero que sua carreira não se resuma a isso. Mas que venham as sequências!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Procurada Vera Lúcia Sant'anna Gomes


Cartaz do Disque-denúncia para a procurada Vera Lúcia Sant'anna Gomes por vários crimes, entre eles tortura!

Quem nunca entrou no site deles, vale a pena!

Retirado do Mausoléu do Gárgula.

UPDATE:
E ela se entregou, nesta mesma quinta-feira.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Editora Aleph pede sugestões

Moçada, esta editora está pedindo sugestões de livros que eles possam publicar. Vejam o site e dêem uma espiada. Eles fazem mais a linha de literatura fantástica.Quem tiver sugestões, esteja à vontade.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Comentários de obras de FC/Fantasia/Terror/etc...

Pessoal, estou dando os meus pitacos sobre essas obras no Blog de FC, ok? Drácula e Anno Dracula sendo minhas vítimas mais recentes.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Moça com Brinco de Pérola

Moça com Brinco de Pérola: a assim-chamada Mona Lisa holandesa.

Moça com Brinco de Pérola é um quadro de cerca de 1665, pintado pelo holandês Johannes Vermeer (1632-1675). Não fez muito dinheiro, nem tanta fama quando vivo, deixando a família endividada após sua morte. Seus quadros foram apreciados somente mais tarde, e sua técnica e composição reconhecidas como as de um verdadeiro mestre da pintura. O apelido de Mona Lisa holandesa se deve à expressão não exatamente clara, em suas emoções, que pode ser vista no quadro.

Em 1999, a autora Tracy Chevalier, especializada em romances históricos, escreveu um livro sobre o autor e o quadro, explorando questões sem resposta sobre quem seria a modelo, por exemplo, e sua relação com o pintor.

Em 2003, o romance virou filme, dirigido por Peter Webber, com Collin Flirth e Scarlett Johansson. Conhecia de ouvir falar, não tinha visto até ontem de madrugada. Foi uma surpresa completa.

O filme leva, visualmente, a padronagem de cores e luzes típica das obras de Vermeer. É daqueles casos que parece que o diretor de arte ou de fotografia tomas as rédeas da direção. Em geral, isso torna filmes chatos e longos. Neste filme, entretanto, apesar de cada cena parecer ser um estudo de Arte, tudo é calculado e proposital. Não é um filme de ação, não é um filme de palavras: mas de luz, sombra, cor e sentimentos.

A modelo real do quadro é uma figura anônima. Entra Griet, moça humilde que, para ajudar nas finanças de sua casa, depois que o pai é acometido por cegueira, torna-se empregada em uma família de certas posses. É a família de Vermeer, com esposa, vários filhos, e uma sogra dominante, viúva, que toma conta das finanças da casa. Vermeer é apresentado como sendo ausente, absorto por sua arte. Nada mais lhe parece interessar muito. Há uma tensão no ar, especialmente em se tratando de questões financeiras. Griet apenas é mais uma empregada na casa, tenta não se envolver em nada, parece que não respira na maioria das vezes, temendo em importunar, ou, como sempre ocorre, ser repreendida.

Aos poucos, surge uma relação com Vermeer, tornando-se sua assistente, e demonstrando interesse e compreensão sobre todo aquele mundo em que o pintor vivia, sozinho até então. Cabe notar que são dois personagens que quase não falam, se comparados aos ao redor, salvo quando entre si - e ainda assim, não muito parece ser requerido.

A história corre para longe do estereótipo, onde esse tipo de comunicação e diálogo leva a romances físicos. Não, é de sutil sensualidade. É uma relação em segredo, como uma traição: o aprendizado da moça é mantido em segredo, para não antagonizar a esposa. A nudez de Griet está em seus cabelos. E o auge de tudo é a pintura do referido quadro, em que o brinco de pérola é dado a ela, como detalhe final para a confecção da pintura, com ela já posando - a cena dele furando sua orelha, que nunca havia feito, é particularmente significativa. E o brinco é da esposa, que de nada sabe... e com a sogra encobrindo.

Agora, dêem uma boa olhada nesta foto de Scarlett Johannson:

Hellooo you guys!

Timidez não é o caso, correto? Pois é. Olhem agora.

Girl can act.

Michael Caine disse, em entrevista, que o que difere o "astro" do grande ator é que o primeiro amolda o personagem à sua imagem, enquanto que o segundo faz o contrário: amolda sua imagem ao personagem. Johannson já havia feito uma "girl next door" sem nenhum problema em Lost in Translation (também em 2003, Sofia Coppola) em um papel que, por motivos diferentes porém legítimos dos de "Moça...", angaria simpatias do público. Em 2004 ela chegou a ser indicada para Melhor Atriz pelo Globo de Ouro, e não ter ganhado foi simplesmente uma injustiça - para não dizer concorrer aos Oscar de Direção de Arte - Cenário, Cinematografia e Costume Design, todos devidamente arrebatados pelo furacão de O Senhor dos Anéis quando não O Mestre dos Mares).

Atualmente podemos vê-la em filmes que não dependam tanto de sua capacidade artística quanto de seus dotes - wink, wink. Enfim, é a máquina.

Johannson: o trabalho impressiona.

Fica, então, o resultado de se ver talento em um dito filme extremamente artístico. Uma experiência enriquecedora. Altamente recomendado.

sábado, 10 de abril de 2010

E o que mais dizer...

... que já não tenha sido dito sobre as chuvas do estado do Rio de Janeiro que já não tenha sido, por exemplo, dito pela Ana Cristina Rodrigues, de quem muito prezo a opinião? É um relato pessoal, comovente, de quem conhecia e convivia com diversos afetados pela tragédia em sua cidade, Niterói -- os links abaixo também retirei de seu artigo no blog.

Destaco um trecho que... se isso aqui não é uma forma de crime, nada mais é:
E as pessoas retirando a terra de cima de suas casas – mas o Estado colocou bombeiros para limpar o Maracanã, afinal não se podia adiar o jogo do Flamengo.
O Morro do Bumba era um lixão aposentado - vejo, no telejornal, que o lixão quando ativo havia sido registrado em um documentário de 1980 chamado L. X. O., de Rogério German, que assombrava as sessões de cinema na época da obrigatoriedade do curta brasileiro. Um grande morro feito de lixo, como revela a matéria negra pelas fotos de qualquer jornal, com chorume escorrendo solto.

Todo maquiado, entretanto: uma rua asfaltada. Títulos de propriedade. A favela que era integrada. O prefeito Jorge Roberto da Silveira, é claro, dizia que não sabia de nada, sobre ser uma área instável... como se o bom-senso não dissesse nada sobre se morar. Em. Um. Lixão. Porra.

Logo adiante, a comunidade no Morro do Céu, com história e ameaças similares...

Coisas de nossa direita insensível e, socorro, nossa esquerda salvadora. A prole de Brizola continua à solta, mesmo depois da morte do vampiro-mor. No Rio, o prefeito Eduardo "Eu-votei-no-outro-cara" Paes toma medidas de remoção de áreas de risco (até que ponto isto não é um critério político, mais do que técnico?) no grito, após o cocoréu ter rolado encosta abaixo, e não antes. Ao menos tomou alguma iniciativa. Canhestra, oportunista, meio tardia. Mas tomou.

É como me dizem, com muita propriedade: O Brasil precisa de um governante que não tenha medo de não ser amigo de ninguém. De ser antipático. De dizer NÃO.

Claro que a remoção de áreas de encostas envolve diversos dramas: quem lá mora tem sua vida montada nos arredores, é de se supor: trabalho, amigos, família. O fantasma da Cidade de Deus surge toda a vez que o assunto da remoção é tratado, pois ao invés de um projeto urbano de desenvolvimento, tornou-se um distante depósito de gente pobre, e futuro grande bolsão do crime. Mas claro que, para se tratar de um projeto urbano, tem que haver continuidade além de um mero mandato de 4 anos, e a miopia proposital da política impede disto. Não é só desalojar, é realojar, com a capacidade de transporte, saúde, TRABALHO, educação... criar mais uma parte da cidade, tão completa (se tanto...) quanto o resto.

E ai, é claro, porque o buraco sempre é muito mais embaixo... a população das favelas continua sendo, em boa parte, de oriundos dos estados do Nordeste, chamados pela promessa de melhoria de condições de vida? Caso sim, o problema começa a ter que ser resolvido por lá. E a partir do momento em que favelas são urbanizadas e títulos de casas finalmente concedidos, a migração só faz piorar.

Entre outras questões: o que ainda falta para o Rio decretar estado de calamidade pública? Niterói já decretou. Será que cai assim tão mal para a cidade da Copa do Mundo e Olimpíadas?

Por último, ouço do mesmo amigo: medidas preventivas são mais difíceis de camuflar o desvio de verba, do que as medidas de emergência. Torço para que ele esteja errado.

Para quem quiser ajudar as vítimas em Niterói, dois links: aqui e aqui.

quarta-feira, 17 de março de 2010

E por falar em nivelar por baixo...

... imagino se não seja a mesma mentalidade por trás da socialização dos royalties do petróleo fluminense: se a idéia é ajudar estados particularmente problemáticos - claro, todos os estados têm problemas, mas uns são mais, e bem mais, que os outros -, não seria mais eficaz meter a faca na carne e intervir diretamente na administração dos mesmos? Algum 'choque de gestão', limpando a ineficiência, enxugando a máquina administrativa e combatendo a corrupção? Aposto que não só o dinheiro magicamente apareceria duma sarneylândia da vida e a renda seria melhor distribuída.

Mas não. A idéia é sacrificar alguns votos no SE, que até imagino não sejam poucos, para assegurar que o machismo brasileiro, no N e NE, não atrapalhe o sucesso da campanha presidencial de uma mulher.

Dizem-me que, apesar do frio intenso, em Montreal ele é seco, o que o torna bem mais suportável. Tentador, tentador. Cada vez mais.

Enfim...

Nivelando por baixo, como sempre...

... impressionante.

Em resumo: há um projeto de lei tramitando para que se extingua o exame da OAB. Sim, será o império dos rábulas. Segue o texto:

Na justificativa do projeto, Gilvam Borges - que se encontra licenciado - argumenta que o exame é injusto, uma vez que uma grande quantidade de pessoas fica fora do mercado de trabalho, pois os índices de reprovação chegam a 70% do total de candidatos.

O exame da Ordem foi instituído em 1994. O objetivo é selecionar, pela aferição de conhecimentos jurídicos básicos, os bacharéis aptos ao exercício da advocacia.

Sempre achei estranho algum fator externo à uma faculdade auferir ou não um título qualificador - isto não já estaria embutido em um diploma? Achava até meio autoritário, por parte da OAB. Mas até ai, nossa sociedade civil se amarra mesmo num tacape... voltando ao assunto: a partir do momento em que um índice de reprovação é de 70%, isto não é uma forma de separar o joio do trigo? E ainda, não é uma forma de avaliação das próprias instituições de ensino de Direito? Porque então não pegar no pé da base, ou seja, fazer ter certeza que um estudante de Direito realmente esteja se diplomando por mérito, e não por carregação em alguma fábrica de diploma, apenas pra mamãe e pro papai dizerem "bem, pelo menos está formado"?

É triste.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Novo livro de Max Mallman!

É com grande prazer que recebi a notícia de que temos mais um livro do meu prezadíssimo Max Mallman, O Centésimo em Roma, a ser publicado pela Rocco! Vai o blog aqui! Lançamento dia 15 de Abril, na Livraria da Travessa de Ipanema, aqui no Rio.

Sempre gostei do que li dele... tem duas impressões minhas sobre seus livros anteriores, Zigurate - uma fábula babélica e Síndrome de quimera, no site do e-nigma.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

E ai a França vem...

... e suspende o visto de um muçulmano, porque ele impunha a burka à esposa, sob o pretexto disto ferir dois dos princípios da República: igualdade entre os sexos e o laicismo.

Comentando isto agora a um amigo meu, I've mixed feelings about that.

A mensagem é clara: não estamos a fim de aturar medievalismos religiosos. Acreditem, nós sabemos o que é, em primeira mão. Não vamos fazer vista grossa. Não tem veja-bem.

É a mesma França que proibiu, em escolas públicas, a presença não somente de crucifixos nas salas de aula, como em alunos, quipás em judeus, véus islâmicos em moças muçulmanas.

Não sou versado em Direito, muito menos francês... mas acho que a França parece ampliar a noção de proselitismo religioso para qualquer símbolo carregado à plena vista. Mas isto não é proselitismo, isso é apenas a escolha pessoal de um indivíduo. Claro, a esposa do cavalheiro acima em questão, eu não sei o quanto de escolha ela teve, ou ela acredita que teve. Mas, de qualquer forma, isto é fazer o Estado se meter na vida do indivíduo. De exceção em exceção, bem...

Ao mesmo tempo, imagino que deva ser desagradável ver, em seu dito moderno país ocidental, uma mulher desfilando como se tivesse saído de um filme como Guerra nas Estrelas ou O Quinto Elemento, e por um momento acreditar: será que isto será o padrão, daqui a pouco? Uma mulher ocidental vendo aquilo, será que não estará vislumbrando o que lhe reserva "algum dia"?

E ai outra questão: é, de fato, pelos princípios da República, ou nesta bala tem um nome gravado? Há comportamentos em outras religiões não muito lisonjeiros: se não geralmente em termos específicos, a mulher de um rabino não deve falar com outros homens, ou falar o mínimo possível. E ai, como fica? Ou demonstrações homofóbicas vindas de vertentes cristãs, isto significa que esta ou aquela igreja será fechada?

O que me faz pensar, como disse meu camarada: até que ponto alguém vindo de fora não deveria se acomodar aos costumes do país que o recebe? Mas ai eu pergunto, até que ponto o país que recebe alguém tem o direito de dizer a este como deve ou não se comportar?

Claro que há leis, quando se chega ao tal país, e nem se discute se deve-se ou não obedecê-las. Ir a outro país não significa subsidiar seus cacoetes pessoais com as benesses da nova terra; e antes que alguém diga "tradição", por favor: nessas horas tradição é apenas um outro nome para um erro que se perpetua por séculos, quando não, milênios.

A resposta mais rápida para tudo isto, ao que parece crer a França e alguns aspectos de nossa legislação, é que a saída é ser intolerante com os intolerantes. E ao combater os monstros, cuidado para não se tornar um deles, imagino. Mas por ser a resposta mais rápida, como é em casos complexos como este, imagino o que se perca no caminho.

A resposta mais complexa, a mais trabalhosa e, provavelmente, a mais correta, talvez seja esta aqui. Anglófonos only, desculpem. Mas em essência, a idéia é: não se impõe nada a ninguém. Persuade-se, se tanto. A luta é pelos corações, e nenhum tribunal poderá dar ganho de causa neste terreno.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BioBlog - o Diário de Biologia

Em linguagem clara e ótimo texto, o Bio Blog, da bióloga Karlla Patrícia, traz bastante informação sobre animais, assim como curiosidades e fatos cotidianos relacionados à Biologia.

Devidamente bookmarcado.

domingo, 3 de janeiro de 2010

As vítimas de Angra - Ajuda

Informação sobre como entregar doações para as vítimas em Angra: (24) 3377-6046, 3377-7480, 3365-4588 e 3377-7869

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cubatão, quem diria...

... em tempos de fracasso da COP-15, foi com uma certa recompensa assistir ao Cidade e Soluções, da Globonews, falando exclusivamente sobre a recuperação de Cubatão, cidade industrial entre São Paulo e Santos que tinha o inglório título de cidade mais poluída do mundo, com a própria ONU a tê-la como mau exemplo mundial.

Enquanto isso, o governo de então, dizendo que era bobagem de ambientalista, não queria baixar aquela que era a maior arrecadação do país. Claro, as crianças nascendo sem cérebro devia ser coincidência.

A Cubatão das crianças acéfalas, da explosão e incêndio de Vila Socó, dos recordes globais de poluição, ficou na História. O que apareceu foi uma cidade com 98% de redução de poluentes na atmosfera, com o verde voltando a dominar suas encostas, uma população em moradias decentes e conscientes da importância do ambiente em sua cidade, praticamente renascida das cinzas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim de ano animado!

Dois filmes chamam a atenção da mídia e do público neste fim de ano, e estão a aportar nos cinemas brasileiros. Ambos têm em comum a animação!

Sexta próxima, dia 12, teremos A Princesa e o Sapo, da Disney, sendo o primeiro desenho animado da Casa do Mickey que basicamente é animação a traço desde o fraquíssimo A Vaca vai pro Brejo (e como...), quando os executivos de então deram por encerrado fazer animação "de traço" porque, segundo as antas d'antanho, "3D é o que vende hoje em dia", tendo como base as cifras de Shrek e o que saia pela Pixar, em comparação com obras automaticamente cheirando a mofo como Irmão Urso (Disney) ou Spirit - O Corcel Indomável (Dreamworks), para não dizer a infelicidade financeira de projetos caríssimos como Atlantis e O Planeta do Tesouro (este, o primeiro caso sofrido pela Disney de prejuízo vindo de uma longa de animação).

Mas desde que parte do staff criativo da Disney é da Pixar, logo após a compra desta por aquela, esta bobagem - que custou o emprego de 300 animadores do dia pra noite - acabou.

A Princesa e o Sapo tem, ainda, a primeira "princesa Disney" que é negra, e há uma certa sensação sobre divulgar isso. Aparentemente o não-caucasianismo da Princesa Jasmin, de Aladdin, não contou. ;-) A trilha sonora, da última vez que soube, é jazz "raiz", bem das antigas. Acho, inclusive, que a estória se passa na Nova Orleans de 100 anos atrás, ou algo assim.

Sexta, 18 de Dezembro, teremos o tão aguardado Avatar, de James Cameron. Apesar de ser um filme 'filmado', live-action, ele tem sequências inteiras de computação gráfica 3D, especialmente quando no mundo alienígena onde parte da trama se passa. Meio o caminho trilhado pela nova trilogia de Star Wars, The Matrix, o O Senhor dos Anéis e outras obras, onde a inserção de computação gráfica 3D passa, de mera "decoração", a um elemento importante na narrativa, indo além dos cenários para montar, ou co-montar personagens irreais, contracenando com atores.

Vamos ver como ficarão!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Primavera dos Livros 2009

Fui ontem, no último dia, de tarde. Mas fui!... após anos só me lembrando de procurar a existência disto quando já havia terminado, finalmente compareci, neste domingo nublado, aos belos jardins do Museu da República, por onde os estandes das publicadoras da LIBRE - Liga Brasileira de Editoras - se espalhavam.

Durante algumas horas, distrai-me por inúmeros títulos de muita coisa boa e bonita, com descontos bons, via de regra. Revi amigos e conhecidos que não esperava (todo mundo que marquei furou), conversei com livreiros. Havia algumas barraquinhas de comes e bebes (cheguei um cliente tarde demais para a água de côco), e uma inesperada e ótima trilha de rock'n'roll de fundo, nada agressivo ou intrusivo. Diversas famílias ali, provavelmente porque aquela jóia que é o parque do Museu normalmente é frequentado por público semelhante.

Havia uma barraca de leitura de textos e poesias infantis. "- Dedicado às mulheres negras, que tanto fizeram por nós, não?" As crianças, claro, queriam mais era pular com os mini-puffs.

O evento produziu um belo catálogo, conciso, com uma página por editora associada com informações básicas e três títulos que quisessem promover. Vi muitas coisas legais, mesmo, pena que nem todas pude comprar:

História da Arte Brasileira para Crianças: uma excelente idéia em meia-dúzia (o site diz quatro, mas lá me mostraram seis) de volumes, esta coleção traz em texto conciso e belos exemplos ilustrado o tema para um público mais jovem, sem afugentá-los. De Nereide Sclilaro Santa Rosa, Edições Pinakotheke, 2002 (o site do catálogo indica outra editora, não entendi nada).

A Odysseus Editora concentra-se, mas não exclusivamente, em tudo o que tiver cara de Grécia Antiga, fazendo jus ao nome. Uma coleção de clássicos de mitologia grega recontados para jovens de Menelaos Stephanides, autor bastante popular na Grécia, vem sido apresentada por eles.

E o que arrematei:

Antes de Colombo Chegar, de Adriano Messias, ilustrado por Vanessa Alexandre. Compila em português e espanhol, para o público infantil, lendas astecas, maias e incas. Alis Editora, 2009.

De Engenho a Jardim - Memórias históricas do Jardim Botânico, Cláudia Braga Gaspar e Carlos Eduardo Barata. Pela Capivara Editora, que também tem um belo álbum da coleção de fotografias da Princesa Isabel.

De vez em quando eu voltarei a este post, caso eu lembre de algo que valha à pena mencionar, estou certo que há.

Por último, gostaria de parabenizar ao evento por provar que pode ser feito uma feira de livros onde não estejam à venda esotérico, dieta ou auto-ajuda.

Espero me lembrar da PdL ano que vem!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Lançamento do Godô!

Moçada, livro infantil desta minha queridíssima amiga de tantos anos, finalmente emplacando este que é mais um gol de letra: Godô dança, seu primeiro livro infantil, também com ilustrações da própria. Tomara que role no Rio também!

"O Godô dança será lançado

sábado, dia 12 de dezembro de 2009,

das 11h30 às 14h,

na Livraria Sobrado,

na Av. Moema, 493 – Moema – São Paulo – SP.

Vai ter contação de estória para os pequenos.

Espero vocês lá!"

Original aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Primavera dos Livros

Site aqui, programação aqui.

De 26 a 29 de Novembro, no Museu da República. Oba, melhor que no cais do porto...

Bohemian Rhapsody de uma forma que você nunca esperou...



Não pode ser mais legal!

Como assim, nenhuma emissora no Brasil tem interesse de passar o Muppet Show!?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Doação de sangue /plaquetas...

... não mais é necessário. Obrigado por qualquer atenção.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Emile Reynaud

Emile Reynaud foi um pioneiro da Animação. A poucos anos antes dos Irmãos Lumiére apresentarem a primeira sessão de cinema, Reynaud se apresentava com desenhos animados por ele mesmo, em máquinas ópticas de sua criação para seu público. Até onde sei, ele era uma espécie de one-man show, que dos desenhos à bilheteria, ele estava em todas.

Ao ver a projeção dos Lumiére, e entendendo que o processo deles era bem mais rápido, acreditou estar obsoleto e anteviu sua própria falência. Em um ataque de depressão, pegou toda a sua obra - filmes e maquinário - e jogou no Sena.



Le Pauvre Pierrot é uma das poucas obras que sobraram aos dias de hoje. Na entrada anterior do blog, falei do Dia Internacional da Animação. O 28 de Outubro não é por acaso, foi escolhido por ter sido a primeira exibição conhecida de Reynaud.

É curioso ver a escolha do tema. Com personagens como o pierrô e - imagino - o clown em cena, isto me parece demonstrar a popularidade do gênero - harlequinades -, também presente em muitos livros infantis, do outro lado do Canal da Mancha.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia Internacional da Animação

Em homenagem a este dia, que é hoje, 28, recebo de Marcos Magalhães um belo post sobre a história da Animação, postado no blog da Anima Mundi.

Aliás, tem sessão no Odeon, pelas 19h. Devo conferir.

domingo, 11 de outubro de 2009

O Segredo de Kells

Descolando um convite neste sábado, pela gentileza de um amigo, assisti no Festival Internacional de Cinema Infantil o longa animado O Segredo de Kells (Brendan and the Secret of Kells), uma co-produção belga-franco-irlandesa, ainda deste ano (blog da produção aqui, ficha do IMDB aqui). Do site do festival, a informação:

Em um mosteiro, o mais fantástico dos livros precisa ser concluído e mostrado ao mundo. Esta misteriosa tarefa é dada a Brendan, um menino de apenas 12 anos. Para completar o lendário livro de Kells, ele conta com os ensinamentos do mestre Aidan e com a ajuda de Aisling, uma misteriosa menina-lobo. E ainda desobedece ao seu amado tio, o Abade Cellach, se perdendo na floresta encantada onde a força de uma serpente diabólica protege o incrível olho de cristal. Mas este é apenas o começo da jornada para Brendan se tornar o mais especial dos escribas.

O que a sinopse não conta exatamente é que o filme inteiro se baseia em iluminuras medievais como tema - a confecção do tal livro - e como estética: todos os cenários (lindíssimos, estupendos) e personagens não apresentam perspectiva, apesar de certos momentos sugerir ambiente em três dimensões.

O Segredo de Kells: iluminuras como tema e estética.

Técnica mista, usando animação no papel, Flash e algumas modelagens em 3D, O Segredo de Kells apresenta o pequeno mundo do jovem Brendan como algo incerto e conflituoso: na Idade Média, uma ordem de monges monta uma pequena fortificação que defenda fugitivos dos impiedosos ataques vikings à região, abandonando mesmo sua vocação inicial, a de ilustrar e criar livros. Mistério e magia aguardam Brendan, enquanto ele alastra os limites de seu mundo, e dá vazão à mesma vocação que os monges acabaram por abandonar.

É muito curioso pensar como isto não foi um tema até agora de uma animação, ou ao menos não que eu conheça. A coisa mais próxima disto - e olhe lá - que conheço é uma versão animada da Tapeçaria de Bayeux.

Muito para minha surpresa, descobri ainda agora que o Livro de Kells realmente existe, e é um dos textos bíblicos mais belamente ilustrados na Idade Média, ainda que tenha ficado incompleto. É de origem irlandesa, com a arte local influenciando a arte do manuscrito.

Apesar de estar no FICI, cabe notar que este é um filme "para criancinhas européias", como brincou meu amigo: não é um filme leve, não há exatamente um ponto de alívio na trama... há uma tensão e uma tristeza de fundo, apesar de qualquer sucesso do protagonista.

Mas é um filme belíssimo, independente do que.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Ouvido ainda agora: seria interessante se os Jogos pudessem ser em Brasília, pois poderia se tornar uma fonte de trabalho para as populações flutuantes de Rio e São Paulo, além das cidades-satélites brasilienses, que se não me engano começaram como cidades-dormitório dos trabalhadores que ergueram a capital nacional.

Os números do Pan preocupam até hoje: se não me falha a memória, dos 700 e algo milhões inicialmente orçados, a festa toda foi a mais de um bilhão de reais. Pergunto-me: ora bolas, não são os Jogos internacionais? Deveria haver um comitê igualmente internacional para fiscalizar as contas.

Enfim...

Adendo: Em 2006, Montreal finalmente pagou por seu estádio olímpico... de 1976.

Adendo 2: excelente artigo, no dia 2/10, sobre o assunto no Gravata.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Campanha futurística da AT&T...

... feita em 1993.

Decerto que mais do que fazer previsões para o que seria em 10-15 anos, ela estava já propagandeando seus projetos. De qualquer forma, é muito interessante.

Dica: blog do Estadão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Off-Bienal

Foi ontem, 20 de setembro. Muito legal. Saldo: Valis, de Phillip K.Dick, pela Editora Aleph; Os Meus Balões, de Santos-Dumont, pela BibliEx, além de rever rostos amigos. Pena não poder ter ficado até o fim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

FC Blog

Resolvi dar uma nova chance ao meu blog de FC... talvez concentre lá tudo que tenha a dizer do gênero, ecoei para lá umas entradas antigas e, agora, uma nova, comentários do livro The Godmakers, de Frank Herbert.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Virtuality

Virtuality (2009) é um telefilme, piloto para uma série, criada por Ronald D. Moore, que se destacou recentemente por nos dar um complexo remake de Battlestar Galactica. Bem, vê-se lições foram aprendidas.

A história: em mais um ou dois séculos, o meio-ambiente estará tão alterado que a raça Humana encara sua própria extinção. Uma nave é construída para alcançar um sistema solar próximo ao nosso – Epsilon Eridani (vizinhança famosa) – levando uma dúzia de cientistas, que esperam alcançar o sistema em tempo hábil e determinar se há um mundo colonizável.

Até ai, o plot básico não é exatamente novidade, a nave que busca por um mundo novo é de, pelo menos, Patrulha Estelar (longa novíssimo para 12 de Dezembro próximo). O que cai matando é o tratamento: ao invés do ponto central ser somente o sucesso da missão ou algo mais técnico, o que realmente importa na história é a viagem em si, que deixa o ponto central do filme focar – como em BSG Galactica – nos dramas humanos, explorados de duas formas: para ajudar a saúde mental dos tripulantes, um complexo sistema de realidade virtual existe, permitindo que os tripulantes programem seu relax como quiserem com o assunto que preferirem, sozinhos, a dois ou mais. É um programa de realidade virtual, ao invés de um holodeck como em Jornada nas Estrelas, com visores especiais, mas que substitui a realidade 1.0 o suficiente para as sensações vividas serem fortemente prazeirosas, ou igualmente traumáticas.

A realidade virtual como ferramenta importante na construção de tramas e relações está presente, também em Caprica, spin-off de BSG Galactica, cujo telefilme homônimo recebeu críticas positivas e um go para se tornar série, em breve – and then there was much rejoicing.

A segunda forma de exploração dos dramas é uma idéia que eu achei fenomenal: bancada por uma poderosíssima corporação financeira, eles resolvem que não basta a sobrevivência da raça humana como forma única de pagamento: a tripulação é submetida a um constante reality show de si próprios. Com direito a “confessionário”. Não ajuda muito o psicólogo da equipe ser também o operador da mesa de edição da nave, recheada de câmeras para tudo quanto é lado. Conflitos e pequenas baixarias fazem o deleite de 5 bilhões de telespectadores, enquanto esperam, de boca aberta cheia de dentes, pela morte chegar. Ah, e a rede de tv que transmite esse programa é a própria emissora deste telefilme, nenhuma outra que a Fox Television.

Como Ficção-Científica, é algo que se aproxima bastante da hard s.f., tendo a nave – com o ominoso nome de Phaeton – gravidade artificial através de um carrossel e não podendo ultrapassar a velocidade da luz. O sistema de propulsão é baseado no modelo Órion, em que explosões nucleares são utilizados para impulsionar um veículo. Pormenores – porém jamais insignificantes – físicos podem ser discutidos, mas em termos de subgênero, para a televisão talvez seja as good as it gets.

(o que faz lembrar um pouco 2001 - Uma Odisséia No Espaço, assim como pela presença do computador central que, sempre com uma voz calma e ponderada, nunca tem exatamente idéia do que acontece, apesar de seu olho brilhante em todos os aposentos da nave.)

Mas não foi aproveitado: ao que tudo indica, ficou mesmo só no telefilme. Impera a mediocridade, creio... bem, é a Fox. :-/

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Bienal? Thanks, but no, thanks.

Eu repito isso a cada dois anos.

É longe pra burro, de "centro" o Riocentro não tem nada.

Vai uma ga$olina. Tem que pagar pra entrar. O estacionamento ainda deve dar um desconto se você compra acima de x, mas não tenho certeza: ele é pago, de qualquer forma. Lá dentro você anda que nem um dromedário, já deixa outra grana em alguma lanchonete.

Tudo isso para... pagar pelo mesmo preço das livrarias, porque as editoras não querem, por duas semanas, competir com suas distribuidoras.

Como não tem nada específico ali, que eu saiba, que me interesse... passo. Ir por ir ou por qualquer glamour do evento, para dizer que foi à Bienal, desculpe. Nessas horas acho a Primavera dos Livros bem mais simpática.

Estarei muito provavelmente no Off-Bienal, aliás.